Luís Amado diz que UE tem "responsabilidades importantes" no futuro político do Kosovo

22.08.2007 - 13:47 Por Adelino Gomes, Susana Venceslau, agência Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado, afirmou hoje que a União Europeia tem de assumir as "responsabilidades importantes" que tem na busca de uma solução para o futuro político do Kosovo.
"Estamos na Europa, a União Europeia tem uma responsabilidade importante nesta questão e considerando que vamos discutir o assunto no próximo Conselho de Ministros, quis avaliar a situação no terreno", referiu Luís Amado no final de um encontro com o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Kosovo, Joachim Rucker, no quartel-general da ONU em Pristina.
"Estamos a avaliar a situação no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pela 'troika' com o apoio das Nações Unidas e nesse âmbito entendo que a União Europeia tem de assumir as responsabilidades para encontrar uma solução para o problema", disse Luis Amado que iniciou ontem uma visita de quatro dias ao Montenegro, Sérvia, Kosovo, Líbano e Chipre.
Antes da reunião em Pristina, capital do Kosovo, com o representante da ONU, Luís Amado, tinha já mantido um encontro à porta-fechada em Belgrado, capital da Sérvia, com o ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic.
No início deste mês, três mediadores internacionais, em representação da União Europeia, Estados Unidos e Rússia, procuraram incentivar os líderes kosovares, decididos a obter a independência, a um compromisso com a Sérvia, que recusa perder a soberania sobre a província administrada pela ONU.
A "troika" negocial foi criada após a recusa da Rússia, aliada tradicional da Sérvia, de aprovar no Conselho de Segurança da ONU um plano, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, que previa uma independência do Kosovo controlada por uma missão internacional, supervisionada pela UE.
Com Portugal na presidência da União Europeia, este segundo dia da deslocação de Luís Amado, que tem o impasse sobre o futuro político do Kosovo como pano de fundo, concentra todo o peso político, com encontros com o Presidente do Kosovo, Fatmir Sejdiu, e com o primeiro-ministro Agim Çeku previstos também para hoje.
Para lá dos contactos eminentemente políticos, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, já esteve hoje reunido também com o comandante da força da NATO que controla o Kosovo (KFOR), tenente-general Kather e visitou a base portuguesa da KFOR, onde se encontram os 290 militares portugueses do 2º Batalhão de Infantaria Mecanizada (2º BIMec) que deverão ser rendidos em meados de Setembro.
Uma solução para a actual situação de completo impasse no processo de independência ou autonomia do Kosovo vem a ser estudada e adiada desde que, em 1999, a NATO tomou o controlo militar e a ONU instalou um governo provisório no Kosovo, que ficou sob controlo da KFOR, força liderada pela NATO, e administração da ONU (UNMIK).
Embora oficialmente seja uma província da Sérvia, o Kosovo tem sido administrado pelas Nações Unidas desde 1999, quando forças da Aliança Atlântica puseram fim à repressão dos sérvios contra os separatistas albaneses.
Hoje, Luís Amado estará já no Líbano para encontros institucionais com o primeiro-ministro, Fouad Siniora e com o presidente da Assembleia Nacional, Nabih Berri.
O último dia da deslocação do ministro português é dedicado ao Chipre, onde Luís Amado tem agendados encontros com o presidente da Assembleia e com a sua homóloga cipriota, Erato Kazakou-Marcoullis.

