Um dia depois de ter apelado ao voto dos socialistas, Louçã abriu novas frentes: pediu o voto dos sociais-democratas, centristas e jovens abstencionistas. Em nome da luta contra o “extremismo radical” e contra a mudança do “regime político”.
No encerramento da VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda (BE), realizada em Lisboa, o dirigente bloquista Francisco Louçã ensaiou, na sua intervenção, o guião narrativo da campanha eleitoral do Bloco.
Nas eleições de 5 de Junho, o BE vai “disputar cada voto”, disse, apelando assim aos eleitores que “já votaram PS, mas também a quem já votou no PSD e no CDS e a quem se tem abstido”. Para cada segmento destes eleitores, Louçã apresentou argumentos.
Acusou José Sócrates de “dizer o que não faz e fazer o que não diz”, apontando os ataques, acordados entre o Governo e a troika, ao Serviço Nacional de Saúde e à banca pública, por exemplo. Os resultados das medidas impostas para receber o empréstimo de 78 mil milhões de euros traduzir-se-ão em “mais pobres, mais desemprego e recessão continuada”.
Dirigindo-se aos votantes do PS, salientou que “aceitar a transferência brutal do ataque ao contribuinte [resultante do choque na competitividade fiscal, proposto no programa de Governo dos sociais-democratas] é “aceitar um ataque às suas famílias, aos seus direitos, aos seus salários”.
O abandono dos reformados foi o argumento que utilizou para pedir o voto aos centristas, acusando-os de “calculismo político” e recordando o congelamento das pensões.
E aos jovens, “sobretudo os abstencionistas”, como realçou, fez questão de recordar a mega-manifestação de 12 de Março: “Se gostaste de 12 de Março, faz o teu 5 de Junho. Mostra o que tens a dizer, por ti e pelos outros.”


