Louçã: “País tem que ter certeza que não há sacos azuis nas empresas públicas”

21.11.2009 - 21:39 Por Lusa
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) defendeu hoje, no Porto, que “o país tem que ter a certeza de que não há sacos azuis nas empresas públicas, que possam servir para contabilidades paralelas”.
Francisco Louçã, que falava num debate sobre a presença do BE na Internet e redes sociais, sustentou que é o Governo e, “em particular, o primeiro-ministro” que devem prestar esses esclarecimentos, porque “tudo tem que ficar claro”.
Numa intervenção em que a Justiça ocupou um lugar destacado, o dirigente bloquista acrescentou que “o país tem que ter a certeza de que não há, não houve, não terá havido e não pode haver pressões para que, em nome de interesses particulares, se escolhem ou se afastem dirigentes de empresas públicas, como o caso da Refer”.
Louçã anunciou depois que “dentro de duas semanas será discutido na Assembleia da República um pacote de medidas pelas quais o Bloco de Esquerda sempre se tem batido”, em prol do “combate pela transparência, contra a corrupção”, em Portugal, um país que Louçã considera ser um “semi-paraíso fiscal”.
O BE é de opinião que “todos os casos judiciais demonstram categoricamente que nós vivemos uma crise gravíssima na Justiça, porque esta não tem meios para investigar, não tem recursos para combater o crime mais complexo e porque não há segredo de Justiça quando era necessário para fazer uma investigação competente”. Louçã completou o seu diagnóstico sobre a Justiça portuguesa referindo ainda que, “aparentemente, não há hierarquia e não há capacidade de decisão dos agentes judiciários que representam o Estado”.
Por fim, concluiu, “muitas vezes, os maiores representantes do Estado na Justiça não se entendem eles próprios sobre a interpretação e a aplicação da lei”. O problema é que esta crise, segundo Louçã, lança “cortinas de fumo sobre o que deve ser e falta na actuação da Justiça”, em particular, como sublinhou, no combate contra a corrupção.
Sobre escutas envolvendo conversas do primeiro-ministro, José Socares, e o vice-presidente do BCP, Armando Vara, que suspendeu funções, Louçã afirmou que “o BE não tem nada a dizer”. “Não as conhecemos, não as queremos conhecer. Se elas forem relevantes, são relevantes para a Justiça e só podem ser relevantes se tiveram indícios criminais”, argumentou, numa referência ao processo Face Oculta.
Francisco Louçã dedicou ainda algumas palavras à situação económica portuguesa, para frisar que Portugal vai ter “a mais grave recessão” que já conheceu e “uma economia que se vai desenvolver com desemprego estrutural crescente, que se vai manter ao longo dos anos”.

