Francisco Louçã voltou a rejeitar a hipótese de uma coligação pós-eleitoral com o PS, no caso de os socialistas vencerem as legislativas sem atingirem a maioria absoluta, desvalorizando assim as declarações de Mário Soares, que admitiu não “repugnar” uma aliança do PS com o Bloco de Esquerda (BE).
Louçã, que falou aos jornalistas após um almoço-comício em Riachos, Santarém, disse “registar” a opinião de Soares. Mas frisou, logo a seguir, que a voz do fundador do PS está muito distante do discurso oficial dos socialistas: “Mário Soares tem sido uma voz própria no debate político que não representa o PS”, afirmou, argumentando que “na questão das privatizações José Sócrates nunca quis ouvir Mário Soares”.
Numa tentativa de esclarecer a posição do BE, o líder bloquista garantiu o Bloco “não faz uma aliança com um Governo que tem destruído o bem público essencial e cujo projecto é continuar com o Código do Trabalho.”. E sublinhou, apesar da “insistência” dos jornalistas: “Tem sido sempre essa minha resposta. Só tenho uma resposta e é a mesma. Não quero que ninguém tenha nenhuma dúvida.”
Questionado sobre o facto de Soares ter dito que “estas questões discutem-se ‘a posteriori’, nunca antes”, Louçã confirmou a aproximação do BE à ala esquerda do PS, notando saber que “há pessoas [dentro do partido] que pensam como Mário Soares e que defendem que é preciso tomar posições e mostrar a José Sócrates que o ataque à educação e que as privatizações são um mau negócio”. “Todas essas vozes ouço-as com muita atenção”, acrescentou.
Quem não as ouve é o secretário-geral do PS, acusou ainda. “Acho que José Sócrates não os ouve”, afirmou, num tom de lamento.
Sobre a ambição de determinar as políticas dos socialistas, na eventualidade de o PS ter uma maioria relativa no Parlamento, Francisco Louçã repetiu que o BE “toma toda a responsabilidade dos votos que tiver”. Por isso, disse, “o Bloco, em cada posição, assume o compromisso que tem com os eleitores. As pessoas sabem que não temos duas palavras sobre isso”.
As afirmações de Louçã fazem crer que o PS já ganhou as eleições do dia 27. Quando interrogado sobre o assunto, o bloquista admite não acreditar numa eventual vitória do PSD. A justificação está na “campanha deserta” dos sociais-democratas e na “incapacidade política” do PSD. “Acho que as sondagens indicam as tendências de fundo das eleições”, disse, continuando assim na estratégia de quase ignorar o PSD.
O único adversário do Bloco é o “PS de José Sócrates”, como faz questão de sublinhar, não revelando qual a posição dos bloquistas perante a possibilidade de os socialistas nomearem um outro líder. Como afirmou Soares, estas são questões para debater no pós-eleições.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.


