Louçã lamenta falta de "espessura e estatura" de quem governa e de quem preside ao país

23.01.2012 - 13:32 Por Lusa
O líder do BE, Francisco Louçã, lamentou hoje a "falta de espessura e estatura" para resolver os problemas das pessoas demonstrada pelos governantes portugueses, considerando que existe uma "gravíssima crise de confiança" em quem tem mais poder.
"Os portugueses percebem que deste Governo ou de quem preside ao país, temos uma gravíssima crise de confiança: quem tem mais poder neste país é quem mais pensa em si próprio e menos pensa nos outros", afirmou Francisco Louçã, quando questionado sobre o primeiro aniversário da reeleição de Cavaco Silva para a Presidência da República.
E, acrescentou, esse "é o mais grave dos problemas de confiança", pois demonstra que "falta espessura, falta estatura aos governantes" portugueses para resolverem os problemas das pessoas.
Ainda a propósito da reeleição do Presidente da República para a chefia do Estado, que aconteceu a 23 de Janeiro de 2011, o líder do BE assinalou que o início do segundo ano do segundo mandato de Cavaco Silva está já muito marcado pelas declarações que fez na sexta-feira sobre as suas pensões, "que são contraditórias com a sua campanha eleitoral".
"Na campanha eleitoral Cavaco Silva pediu o voto dos portugueses lembrando aos reformados que tinha sido ele a decidir na altura em que era primeiro-ministro o estabelecimento do 14º mês pago aos reformados", lembrou Francisco Louçã, que falava aos jornalistas à saída de uma reunião com a presidente do Instituto de Segurança Social.
Apesar disso, continuou Francisco Louçã, o chefe de Estado, "que acha que com 10 mil euros não pode pagar as suas contas, não se coíbe de assinar um Orçamento que o Governo lhe apresentou para tirar a quem tem 600 euros por mês, dois meses do seu salário para o qual descontou a vida inteira".
Antes, o líder bloquitsa, em declarações à entrada para a reunião com a presidente do Instituto de Segurança Social, já tinha condenado o "enorme desprezo" pelas dificuldades das pessoas que demonstra quem governa e preside ao país, que revelam "impreparação" para desempenharem os cargos que ocupam.
"O mais importante da política portuguesa é que todos percebemos que quem decide sobre o país, quem governa e quem preside ao país, tem um enorme menosprezo pelas dificuldades das pessoas e pela vida das pessoas", declarou.
Carlos César diz que declarações foram "infelizes e inapropriadas"
Também o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, classificou esta manhã de “infelizes e inapropriadas” as declarações do Presidente da República sobre o valor da sua reforma, frisando que fragilizaram a sua condição de árbitro da vida política e social portuguesa.
“As declarações do Presidente da República, como parece ser do senso comum, não foram muito felizes e, sobretudo, foram inapropriadas face às dificuldades que muitas pessoas e famílias têm nesta fase que atravessamos”, afirmou Carlos César em declarações à Lusa em Ponta Delgada.
Para o presidente do executivo regional, “é importante que o Presidente da República preserve a sua condição de árbitro e de entidade influente na concertação social e política do país, porque é essa a função primordial que pode ter”, frisando que essa condição “saiu fragilizada por este episódio”. Carlos César frisou, no entanto, que “como acontece com frequência na vida política, o que aconteceu na semana passada não será recordado no mês que vem”.
O presidente do Governo dos Açores defendeu ainda que “a unidade que o país precisa vai para além da função do Presidente da República e deve ser suscitada por outra conduta e forma de estar do Governo na vida política institucional portuguesa”. “O Governo não pode tentar fazer um acordo com a UGT para não fazer com o PS ou fazer com o PS para não fazer com a CGTP, deve procurar um amplo consenso nacional e não pode insultar, desvalorizar e desconsiderar o maior partido da oposição para depois lhe pedir apoio nas medidas que pretende tomar”, afirmou.

