Louçã diz que PCP e BE têm interpretações diferentes sobre o socialismo

03.09.2009 - 16:34 Por José Manuel Fernandes, Maria José Oliveira
Francisco Louçã admite que o Bloco de Esquerda (BE) converge com o PCP em diversas matérias. Mas nota que a identidade de cada partido e a interpretação de cada um sobre o que é o socialismo determinam a distância entre bloquistas e comunistas.
Algumas horas antes do frente-a-frente com o secretário-geral do PCP, a transmitir esta noite na SIC, Francisco Louçã adiantou ao PÚBLICO que alguns dos temas em cima da mesa vão ser a economia, as políticas sociais e a educação. Sobre a disputa de um terceiro lugar nas legislativas, o líder bloquista assinalou as principais diferenças entre o BE e o PCP: “O Jerónimo de Sousa costuma dizer que não conhece o projecto do BE. Eu creio que ele o conhece muito bem. E o projecto do BE, a identidade estratégica, é diferente da do PC. Porque entendemos que uma política socialista é uma política que constrói uma democracia que abrange e nunca pode deixar de desenvolver direitos essenciais que não são reconhecidos em países como a China ou Coreia do Norte. O socialismo é isso.”
Apesar de ambos os partidos se assumirem como anti-capitalistas, Louçã frisou que o BE tem um “entendimento” diferente “sobre o que é o socialismo”. “Quando olho para a China e vejo as deslocalizações de Portugal para esse país percebo que a exploração do trabalhador chinês provoca desemprego em Portugal”, justificou.
Em entrevista ao PÚBLICO (será publicada na próxima semana), Francisco Louçã rejeitou disputar o eleitorado socialista com o PCP, mas admitiu que os bloquistas querem ganhar em terreno socialista. “Já se percebeu bem, nas últimas eleições, que se tratam de eleitorados diferentes e que o Bloco pode representar uma tomada de posição de muitos eleitores descontentes do PS”, disse.

