O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou hoje, a propósito das últimas notícias sobre a Maçonaria, que "em Portugal há muito quem não saiba quem é" e criticou quem tem "um pé no poder político", nas empresas e nas secretas.
"Descobrimos há pouco tempo que há mesmo um grupo económico que até tem uma loja, um ‘outsorcing', um ‘franchising', onde pode juntar dirigentes dos serviços secretos com o grupo da elite que governa um grupo económico. Até isso nós temos em Portugal, tudo é possível quando o poder político e o poder económico se juntam para proteger o privilégio e o privilégio é inaceitável", disse Francisco Louçã.
O líder bloquista utilizou a parte final da sua intervenção durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, que já não teve tempo para responder, para abordar de forma crítica as últimas notícias que dão conta de ligações entre ‘maçons' da Loja Mozart, da Grande Loja Regular de Portugal (GLRP), e o grupo Ongoing.
Daquela obediência maçónica e dessa loja, segundo vários órgãos de comunicação social revelaram nos últimos dias, fazem parte o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e um dos seus vice-presidentes, Miguel Santos, para além do presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, e o antigo director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e actual quadro daquela empresa, Jorge Silva Carvalho.
Em seguida, Louçã usou da ironia referindo-se a uma ópera de Mozart, nome daquela loja maçónica, para depois tecer uma crítica a quem vive "com um pé na política e um pé nas empresas" ou nos serviços de informações. "O senhor primeiro-ministro, que é um homem que gosta de música, apreciará certamente a lembrança de que há um personagem do Mozart, no Figaro, que é o Querubim, um pajem, que no meio destas confusões todas acaba por repetir no refrão ‘já não sei quem sou'. Em Portugal há muito quem não saiba quem é: um pé no poder político, um pé nas empresas, salta de um lado, salta para o outro, serviços secretos, direcção de empresas, o que for", condenou.


