O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, voltou hoje a defender uma auditoria e a renegociação da dívida, criticando as declarações do Presidente da República ao semanário Expresso segundo as quais “não devemos falar de renegociação”.
“O Presidente da República sugere pequenos ajustamentos que não explícita e está a alimentar a esperança vã que evita a bancarrota prosseguindo a economia da bancarrota”, disse Louçã.
Na entrevista publicada hoje no Expresso, o Chefe de Estado afirma que “ninguém dirá que o que está acordado é 100% perfeito, mas não devemos falar nunca em renegociação” da dívida externa do país. “Isso não deve passar pela cabeça de ninguém”, advertiu Cavaco Silva, para logo em seguida referir que “podem existir melhores formas de alcançar os mesmos objectivos”.
Para o líder bloquista, “o Presidente da República, assim como o Governo e os autores da troika persistem em afirmar que o único caminho que Portugal deve seguir é o desta austeridade excessiva e deste desvio dos recursos para o sistema financeiro”. Louçã defendeu a realização de “uma auditoria à dívida e a sua renegociação”. “Com juros de 3,5 por cento para uma economia que nos dois últimos anos caiu 4 por cento, esta é a razão pela qual deve ser feita uma auditoria à dívida privada e à pública e como tal é imperativa a renegociação para que Portugal não caia na situação da Grécia”, realçou.
Na entrevista ao semanário, o Chefe de Estado afirma em relação à Alemanha e à França, que “foram os culpados desde logo” quando se flexibilizou o Pacto de Estabilidade por terem violado o défice, “parece que hoje estes dois Estados se substituem às instituições [europeias]”. “Reúnem-se e até convocam para participar os responsáveis das instituições!”, acrescenta Aníbal Cavaco Silva.
Para o BE, esta situação evidencia “a crise da União Europeia e regista o fracasso de uma estratégia que o Estado português seguiu ao longo dos últimos anos que foi a de aceitar um directório e uma configuração institucional com uma enorme autonomia para o Banco Central Europeu sem controlo da política económica e bancária”.
O líder do BE acusou ainda o Governo de ter uma “agenda escondida” em matéria de impostos e referiu-se à exigência da troika de até ao final de Julho haver uma baixa da contribuição patronal, que o Governo adiou para Agosto e que vai exigir “um grande aumento, na ordem dos 4 por cento do IVA". A troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) negociou com o Estado português uma ajuda externa ao país no valor de 78 mil milhões de euros.


