Francisco Louçã acusou hoje José Sócrates de tráfico de influências ao ter oferecido à militante bloquista Joana Amaral Dias um lugar de Estado em troca de apoio às listas socialistas para as legislativas.
Falando no almoço-comício numa associação recreativa do Barreiro, em que apresentou a lista do bloco de esquerda (BE) para as legislativas no distrito de Setúbal, Francisco Louçã felicitou Joana Amaral Dias por ter recusado apoiar as listas socialistas numa primeira investida do PS em busca do apoio da militante do Bloco.
"Acontece, no entanto, que voltou a convidá-la para cargos de Estado em troca de um eventual apoio, seja a chefiar um instituto público na área da saúde, seja num qualquer lugar de Governo. Isso mostra-nos o desespero em que está o PS", acusou o coordenador do BE, que foi mais longe nas suas acusações.
"Mostra-nos uma forma de política menor, de vergonha, que é uma política que oferece lugares de Estado, que trafica influências e oferece lugares a troco de algum apoio. Isto é uma vergonha, é a forma de governar em maioria absoluta, é pensar que o Estado é de um partido, mas não é. A democracia não permite traficâncias", defendeu Francisco Louçã.
O dirigente do Bloco sublinhou que a democracia é "lugar de responsabilidade", onde quem vem apenas para obter lugares não os merece.
"Um partido que em vésperas de eleições anda a distribuir mordomias é um partido que não merece governar", reiterou Louçã.
O líder do BE, que estruturou toda a sua intervenção em torno da palavra "favorecimento", referiu vários exemplos para demonstrar como o Executivo socialista pautou o seu mandato por políticas de favor. Um destes exemplos foi o caso BPN em que o Estado utilizou três mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes para salvar os activos do banco, disse.
"Sócrates anunciou que vai abrir os cordões à bolsa e vai aumentar os estágios profissionais para mais 10 mil desempregados, ou seja, um em cada 60. 'Ah', como teria sido extraordinário se os banqueiros que foram de chapéu estendido depois de terem afundado os seus bancos se o Governo ao menos só tivesse apoiado um em cada 60", ironizou Louçã.
Francisco Louçã acusou também o Governo de favorecimento depois de na reunião em sede de concertação social, que decorreu na sexta-feira, a propósito de eventuais custos para as empresas num cenário de pandemia de gripe A, ter ficado decidido que os encargos serão assumidos pelos trabalhadores e pela segurança social sem que às empresas sejam pedidos "sacrifícios ou responsabilidades".
O dirigente do bloco não esqueceu também, a propósito de favorecimentos, o caso do terminal de contentores de Alcântara.
"Sabemos agora que Sócrates garantiu à Mota-Engil um contrato em monopólio nos contentores de Alcântara- Até ao dia em que Sócrates fizer 85 anos de idade está a Mota -Engil segura, tem sempre um lucro garantido e no dia em que a sua operação não tiver lucro garantido, o Estado paga o lucro que eles não tiveram a operar sozinhos sem concorrência, sem concurso, num contrato que lhes dá todas as garantias. O que é podemos chamar a isto? Favorecimento", afirmou Francisco Louça.
Ainda em relação às listas socialistas, Louçã não deixou de notar que estas não incluem qualquer dos deputados "que tiveram a honradez de votar contra o Código do Trabalho", tendo sido "corridos e punidos" por isso.



