O dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Francisco Louçã acusou hoje o Governo de favorecer uma política de "monopólios cruzados" na energia.
"Este Governo favorece uma política de monopólios cruzados na energia, o que é um abuso em relação aos portugueses. A lógica é dar sempre mais aos que têm piores resultados na sociedade portuguesa", acusou Francisco Louçã no debate mensal com o primeiro-ministro.
O coordenador da Comissão Política do BE acusou o Governo de estar a promover "o colapso da regulação" na economia portuguesa e de se preparar para transferir em 2007 cerca de 600 milhões de euros para empresas como a EDP e a REN–Rede Eléctrica Nacional.
"Uma e outra vão ter os maiores lucros de sempre, num ano em que o petróleo também atingiu os valores mais elevados no mercado", apontou o deputado do BE, já depois de também ter criticado a hipótese de se concretizar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonae sobre a Portugal Telecom (PT), que "gerará três mil desempregados qualificados".
Francisco Louçã insurgiu-se contra o aumento do preço da electricidade de seis por cento no próximo ano, advertindo que esse aumento "disparará nos próximos anos".
"Este Governo tem a teoria de que os preços vão baixar para cima. Mas seis por cento de aumento da electricidade é o dobro da taxa de inflação prevista para 2007", advertiu o dirigente do BE, antes de referir que os preços da electricidade "são superiores em 38 por cento face a Espanha" e em mais de 50 por cento em relação a países como o Reino Unido e França.
"Com esta política, em Portugal, ganham sempre os piores e os mais ineficientes. Em Portugal, pela lógica do Governo, se alguém exige um tostão é um privilegiado, mas se alguém exige um milhão então é um barão", comentou o deputado do Bloco de Esquerda.
"Para alguém acreditar na regulação [na economia] é preciso também acreditar no mercado, coisa que falta ao senhor deputado Francisco Louçã", reagiu José Sócrates.


