Louçã acusa Ferreira Leite de "estar contente" com "asfixia democrática que se vive na Madeira"

07.09.2009 - 19:09 Por Lusa
O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, considerou hoje a Madeira é "um caso de asfixia democrática" e onde existe "regabofe económico" e "desperdício absoluto" e acusou Ferreira Leite de "estar contente" com o clima que alegadamente se vive naquela região autónoma.
Em declarações aos jornalistas durante uma viagem de barco ao estuário do Tejo, Louçã disse que a presidente do PSD demonstrou ao ir à Madeira "as duas características que a política tem de recusar": "Não ter a preocupação da sua palavra" e falta de "coerência democrática".
"Se há lugar onde há regabofe económico, desperdício absoluto e orçamento de brincadeira é na Madeira e é Alberto João Jardim que está agora ao lado de Manuela Ferreira Leite", criticou Francisco Louçã, que em seguida defendeu que na região autónoma "não há nenhuma liberdade de informação".
"O governo regional daquele PSD, que é o PSD, acusa os jornais que lhe são contrários ameaçando até expropriá-los e compra os jornais para lhe serem favoráveis, ou seja, não há nenhuma liberdade de informação e pelo contrário é o predomínio do poder político contra a liberdade de informação que faz da Madeira um caso de asfixia democrática e a doutora Ferreira Leite está contente com esta asfixia", referiu o coordenador bloquista.
Questionado pelos jornalistas sobre como se está a preparar para o debate televisivo que terá na terça-feira com José Sócrates, Louçã respondeu que se prepara "como em todos os debates" mas frisou que o ainda chefe do Governo "é o principal responsável pelas políticas que conduziram o país ao longo destes anos".
"Ele não pode olhar para trás como se não fosse nada com ele (...) acho que vai ser uma discussão de muitas diferenças, quando discuto com Manuela Ferreira Leite ou com José Sócrates estou a ver à minha frente as pessoas que têm governado o país ao longo do tempo", acrescentou.
Na opinião do líder do Bloco, uma das questões principais desta campanha eleitoral é o modo de resposta à crise, que segundo Louçã "ainda continua".
"A crise é uma urgência, é um drama, o primeiro-ministro diz que acabou a recessão técnica, ele não quis reconhecer o princípio da recessão e agora deita foguetes quando ainda está a aumentar o número do desemprego e o Banco de Portugal, não sou eu, diz que neste ano e no próximo são mais duzentos mil desempregados, o que quer dizer que a crise continua", disse.
"Quem não reconhece a crise não quer corrigi-la, quem não percebe que há crise não acha necessário combatê-la e eu acho, pelo contrário, que as grandes opções do país são toda a política de justiça e de boa utilização dos recursos escassos para esse grande combate ao desemprego e à precariedade", concluiu o também deputado do Bloco de Esquerda.

