Francisco Louçã decretou ontem a “morte” da campanha do PSD, sustentando que esta “consequência política” resulta do afastamento de Fernando Lima da assessoria da Presidência da República. “Uma campanha morreu hoje à noite”, disse, num comício decorrido no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra.
“Há uma campanha eleitoral que se esvaziou como um balão furado, que é a campanha de Manuela Ferreira Leite”, prosseguiu, sendo logo interrompido pelas palmas das cerca de 500 pessoas que ocupavam a plateia.
Já durante a tarde, e depois de comentar o assunto, o líder do Bloco de Esquerda (BE) não escondeu a sua imensa satisfação perante a notícia do afastamento de Lima. Algumas horas depois, abriu o comício desta forma: “Cada dia gosto mais desta campanha eleitoral.”
O regozijo não é para menos, já que os bloquistas sabem que o caso favorece o partido. E por isso o discurso de Louçã dirigiu-se àqueles que “nunca votaram BE” e também a “todos os votantes que têm o coração à esquerda”. Foi neste âmbito, aliás, que Louçã aludiu a uma “maioria para governar”, embora não tenha dado mais explicações sobre a afirmação. “Quero convidar qualquer pessoa que nunca tenha votado no BE a pensar por que é preciso um movimento político, uma força na esquerda, neste partido, para uma maioria para governar”, disse, pouco depois de prometer que “nos próximos dias o Bloco vai directamente ao assunto”.
A notícia do dia não foi, claro está, escamoteada por Louçã. Que, invocando a existência de uma “profundíssima crise de regime”, classificou o afastamento de Fernando Lima da Presidência como um “espelho dessa mesma crise”.
Depois de reivindicar para si a nomeação de Lima como sendo a fonte do PÚBLICO (durante um programa na SIC), o bloquista disse acreditar que “este episódio está quase à beira de estar encerrado”. E ressalvou, como já o tinha feito durante a tarde, que “o assessor tinha dito que foi em nome do Presidente da República que tinha tomado as iniciativas”.
Mais cauteloso nas palavras – à tarde não respondeu concretamente quando questionado sobre se Cavaco Silva tem condições para se manter no cargo, optando por lembrar que “todos os responsáveis políticos não estão à altura do seu cargo quando alimentam factóides, quando criam inventonas, ou quando criam fenómenos para lançar confusão a partir de nenhuma fundamentação de factos” -, Louçã frisou esperar que o Presidente da República “dê explicações”. Até porque, acrescentou, “o país não tem o direito de distrair-se com pequenas jigajogas de poder” e com “encenações fantasiosas”.
Apesar de o tema ter dominado a maior parte do discurso de Louçã, o BE “não se distrai com notícias fantasiosas”. Porque “vai ao coração dos problemas” e, na política, “sabe do que fala”, tem “a grandeza de evitar as dificuldades onde elas estão”.


