"Limpámos as grosserias e os palavrões das conversas", diz director do "Sol"

26.02.2010 - 11:34 Por Sofia Rodrigues
O director do "Sol" admite que o jornal retirou “grosserias, palavrões, e apartes” das conversas interceptadas pelas escutas no âmbito do processo Face Oculta e que têm sido divulgadas pelo semanário.
“Não fazemos jornalismo voyeurista. As conversas estão cheias de grosserias, palavrões, apartes e de insultos pessoais, limpámos isso”, disse José António Saraiva, na comissão de Ética, justificando a decisão com critérios editoriais. “O que publicamos é o que é relevante para os leitores terem conhecimento do processo, não violamos a privacidade”, acrescentou.
Rejeitando que as conversas publicadas violem o segredo de justiça, o director do "Sol" afirma que o que tem sido publicado são “conversas de pessoas no uso dos seus cargos em empresas – algumas do Estado – ilegítimas se não mesmo criminosas”.
Questionado pelo PS sobre a decisão do Procurador-Geral da República quanto à inexistência de indícios de atentado ao Estado de Direito nas escutas interceptadas, José António Saraiva lançou fortes críticas a Pinto Monteiro e ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça. “Andam enrolados há meses em conversas que nem os especialistas entendem”, disse o director do Sol, considerando que as declarações públicas de Pinto Monteiro são o “caos” e que duvida que algum português tenha percebido alguma coisa.

