A distrital do PSD/Porto, liderada por Marco António Costa, quer que os 12 deputados eleitos pelo distrito - incluindo o líder da bancada - imponham as prioridades da região na elaboração da proposta do Orçamento do Estado para 2010. Para isso, a distrital vai dar uma orientação clara sobre quais são esses objectivos e o sentido de voto que aqueles parlamentares devem assumir no debate na especialidade, mas sem que isto ponha em causa a disciplina de voto no seio do grupo parlamentar.
O líder da distrital do PSD-Porto entende que aqueles 12 deputados têm a obrigação de intervir na defesa dos interesses da região, no âmbito da discussão que decorrerá no interior do grupo parlamentar com vista à formulação das propostas do PSD. Nesse sentido, precisa Marco António Costa, a própria distrital vai elaborar um documento onde fará constar as prioridades que considera fundamentais para travar o declínio da região, que fará chegar à direcção da bancada parlamentar. Órgão que, sublinhe-se, integra três eleitos pelo distrito, incluindo o seu líder, José Pedro Aguiar-Branco, que foi cabeça de lista pelo Porto.
O presidente da distrital entende que a batalha em defesa da região deve ter lugar no seio do próprio grupo parlamentar, evitando contribuir para qualquer estratégia de vitimização do Governo. Marco António Costa é de opinião que o PSD deve evitar a todo o custo dar qualquer pretexto ao PS e ao Governo para que antecipem eleições legislativas. No entanto, tal não implica que o grupo de deputados do Porto não faça valer o seu peso específico em sede de discussão interna sobre as propostas que o PSD deve apresentar.
"No âmbito do Orçamento do Estado, a distrital não prescindirá de ter uma opinião própria sobre as prioridades do Governo, independentemente daquela que seja a posição da direcção nacional do partido", frisou em declarações ao PÚBLICO Marco António Costa, deixando claro que "há um conjunto de medidas e obras indispensáveis para a região". O apoio às actividades exportadoras, a criação de políticas de justiça social, um plano especial de emprego para a região e o reforço de meios humanos na área da segurança são algumas das prioridades definidas pela maior distrital do PSD.
Na área da saúde, reclama "uma melhor rede de cuidados primários" e preconiza mais médicos de família na região. Quanto ao apoio às actividades exportadoras, o líder do PSD-Porto considera necessário que haja políticas concretas no apoio aos sectores têxtil, de calçado e mobiliário.
O PÚBLICO contactou dois vice-presidentes da bancada parlamentar, Rosário Águas e Emídio Guerreiro, mas ambos disseram que não pretendiam fazer quaisquer comentários. "Não vou comentar até porque não fui eleito pelo Porto", disse Emídio Guerreiro.


