O líder do Partido Socialista, António José Seguro, pede ao Governo para que leia os sinais dados pela sociedade, considerando que os tumultos e revoltas podem subir de tom se não houver equilíbrio nos sacrifícios pedidos.
Em entrevista à Rádio Renascença, o dirigente socialista disse que está nas mãos do Governo saber ler os sinais dados pela sociedade para evitar que se repitam episódios como os confrontos ocorridos no dia da greve geral contra a austeridade, no passado dia 24 de Novembro.
“Isto tem muito mais que ver com as medidas justas ou injustas, com a repartição equilibrada ou exagerada dos sacrifícios. Quando uma pessoa tem uma reforma de 1000 euros e lhe é pedido que contribua com sacrifícios e existe um trabalhador que ganha no privado 3000 euros e não lhe é pedido sacrifício quase nenhum, isso é justo? Não é justo. Se as pessoas não tiverem a noção de que os sacrifícios exigidos são feitos por todos, naturalmente que isso provoca revolta nas pessoas”, afirmou António José Seguro.
No que diz respeito ao Orçamento do Estado para 2012, que deverá ser hoje aprovado no Parlamento com a abstenção do PS, Seguro referiu que está satisfeito com as alterações introduzidas ao documento, mas fez questão de sublinhar que apenas não foram mais longe porque a maioria parlamentar PSD/CDS-PP não consentiu.
Questionado sobre uma eventual fuga de capitais de Portugal como resposta à maior carga fiscal, o líder socialista rejeitou a hipótese, colocando-a no campo da moral: “Aqueles que mais têm, neste momento, também têm de dar o maior contributo para que a factura não seja tão pesada para aqueles que menos têm”.
Seguro defendeu, ainda, uma revisão do memorando de entendimento assinado com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), no sentido de rever os compromissos assumidos pelo país perante a “alteração de circunstâncias internas e externas”. O objectivo, explicou, seria evitar que os sacrifícios do próximo ano sejam “colossais” para os portugueses.
O dirigente do PS falou também sobre o primeiro-ministro, para garantir que mantém boas relações com Pedro Passos Coelho e que este tem disponibilizado toda a informação necessária para o PS preparar alternativas ao Orçamento do Estado do próximo ano. Seguro prometeu que, aconteça o que acontecer, o PS fará sempre parte da solução e não do problema, ou seja, “o interesse nacional acima de tudo”. Questionado sobre o facto de isso lhe poder custar a própria liderança, Seguro é directo: “Não troco convicções por lugares na política”.


