Líbano: PSD quer envio de militares portugueses só depois de conhecida missão

22.08.2006 - 18:56 Por Lusa
O PSD defendeu hoje que o envio de militares portugueses para o Líbano só deverá ocorrer depois de conhecido o tipo de missão a desempenhar, porque, caso contrário, a decisão poderá "conduzir a uma aventura sem sentido".
"A eventual participação de Portugal numa força multinacional no Sul do Líbano deve exigir conhecer previamente, com suficiente clareza, o mandato a atribuir à força multinacional, o nível quantitativo e qualitativo do empenhamento dos nossos parceiros da União Europeia, o tipo de missão que seria reservado às forças portuguesas", lê-se num comunicado do PSD.
Na mesma nota, divulgada após uma reunião da comissão permanente do partido convocada para discutir esta questão, os sociais-democratas afirmam que, caso o Governo não acautele estas questões, a decisão poderá "conduzir a uma aventura sem sentido".
"Qualquer decisão portuguesa que não acautele previamente e com rigor estes aspectos pode conduzir a uma aventura sem sentido e a um resultado completamente oposto àquele que legitimamente se pretendia alcançar", considerou o PSD.
No comunicado, os sociais-democratas reconhecem a importância de alcançar "uma paz autêntica e douradora" no Médio Oriente, mas alertam para as limitações da resolução das Nações Unidas e o "clima de incerteza e fragilidade" gerado pelas posições assumidas por vários Estados-membros da União Europeia.
"No que respeita à Resolução das Nações Unidas, não é aceitável a presença de uma força multinacional naquela região sem um mandato claro, perfeitamente definido e exequível", sublinhou também o PSD, considerando que, neste momento, esta clarificação não está assegurada.
"Portugal deve, no quadro da União Europeia, ser firme a exigir esta clarificação", referem igualmente os sociais-democratas, admitindo que, obtida esta clarificação, "a participação da União Europeia é importante e Portugal deve contribuir para esse esforço internacional".
Relativamente à "pouca" disponibilidade demonstrada por vários países para participar nessa força multinacional, o PSD adverte para o "sério risco" da União Europeia "perder grande parte da credibilidade exigível".
O PSD foi o último partido político a divulgar a sua posição oficial quanto à possibilidade de enviar militares portugueses para o Líbano.
No final dos encontros com o Governo que os partidos com representação parlamentar realizaram ontem, o PS e o CDS-PP manifestaram-se favoráveis ao envio de militares, embora defendendo a necessidade de um maior esclarecimento sobre as condições operacionais dessa força e o seu perfil. O PCP, o BE e o PEV reiteraram a sua oposição ao envio de uma força militar portuguesa para o Líbano.
No final dos encontros com os partidos, o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, afirmou que o Executivo está a ponderar "com muita exigência e prudência" o envio de militares para o Líbano.
"O Governo, perante uma situação complexa, está a ponderar com muita exigência e prudência o envio de militares para o Líbano", afirmou Nuno Severiano Teixeira.
Na sexta-feira, o Presidente da República, Cavaco Silva, também abordou o assunto, revelando que o envio de tropas portuguesas para o Líbano está a ser ponderado "com muita cautela", pelo Governo e pela Presidência.
"Não se enviam soldados portugueses para um teatro de tão grande complexidade" sem pesar bem todos os condicionamentos "políticos e militares", afirmou, na altura, o chefe de Estado.
Hoje, foi adiada para sexta-feira uma reunião dos Estados-membros da União Europeia, em Bruxelas, para discutir as contribuições para um reforço do contingente da ONU no Líbano.

