Legislatura do PS foi “uma clara oportunidade perdida”, disse vice-presidente do PSD

04.04.2009 - 19:54 Por Lusa
Paulo Mota Pinto, vice-presidente do PSD, considerou hoje que a actual legislatura foi "uma clara oportunidade perdida" pelo governo para fazer reformas, acusando o Executivo de ter querido fazer política "hostilizando os agentes de cada área profissional".
"O governo teve condições verdadeiramente únicas para fazer reformas. Foi a maior legislatura de sempre na história da democracia, com maioria absoluta e com um Presidente da República colaborante", afirmou no encerramento do conselho nacional dos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD), que decorreu hoje em Coimbra.
O dirigente do PSD considerou que o governo socialista cometeu o erro de querer fazer política hostilizando os agentes de cada área profissional. "Governar é muito mais do que identificar inimigos ou interesses especiais e privilégios, mesmo que eles existam, e combatê-los, evidentemente, é também criar condições para as reformas", sustentou.
Nas conclusões do conselho nacional de hoje, os TSD acusam também o governo de ter "delapidado uma legislatura e de ter desaproveitado uma oportunidade única para relançar o desenvolvimento português".
"Os TSD estão conscientes dos efeitos da crise internacional, mas não ignoram nem esquecem que os problemas nacionais já existiam antes dos efeitos dessa crise chegarem a Portugal", lê-se nas conclusões do encontro, em que é recusada a "política de branqueamento e de desresponsabilização do governo".
Para o secretário-geral dos TSD, Arménio Santos, "o país está a ser mal governado e a sofrer consequências de erros acumulados durante uma legislatura que podia ser fantástica em termos de resultados positivos para o país e para os portugueses".
"Todos esses resultados foram delapidados por um governo arrogante e incompetente", acusou Arménio Santos ao intervir no fecho dos trabalhos.
Por seu turno, ao pronunciar-se, no seu discurso, sobre a situação económica, Paulo Mota Pinto considerou que o governo "falhou clamorosamente numa estratégia de esconder a crise".
Falta competitividade das empresas é grande problema
"Falhou porque não podia ganhar essa estratégia, era impossível, mas tentou, chegou a anunciar o fim da crise, depois negou a recessão, elaborou um orçamento geral do Estado que é uma ficção, depois elaborou outro orçamento a que se recusou chamar rectificativo", reiterou. O professor de Direito e antigo juiz do Tribunal Constitucional salientou ainda que "o PSD antecipou problemas que hoje estão na ordem do dia", exemplificando com a falta de crédito, o endividamento e "problemas sociais graves que se iriam agravar, nomeadamente o desemprego".
Lembrando as propostas do PSD para o sector, o vice-presidente social-democrata vincou que "o centro do problema não está nos grandes investimentos, nas grandes empresas, está nas PME e na falta de competitividade da oferta das empresas".
Nas conclusões do conselho nacional, os TSD exigem também "políticas de apoio efectivo à economia real, às PME, designadamente através do alívio da carga fiscal", preconizando uma série de medidas para este efeito. Defendem ainda que o desemprego "é a questão social mais séria", reclamando medidas como o alargamento do subsídio de desemprego em seis meses, a criação de uma bolsa de formação para o desemprego e uma discriminação positiva no apoio aos agregados familiares mais atingidos por este problema.
PSD quer e pode tirar o PS do poder
Manifestam igualmente "profunda preocupação" com o "estado de descrença nacional, contaminado pelas políticas erradas de um governo desgastado e pela fragilidade do primeiro-ministro, que, envolto em polémicos processos públicos, perde autoridade e não se concentra nas medidas adequadas à boa governação do país".
Ao concluir o seu discurso, Paulo Mota Pinto considerou que "é perfeitamente possível o PSD ganhar as próximas eleições".

