Julgamento do sindicalista José Manuel Fernandes Marques que foi detido no passado dia 18 de Janeiro, durante uma manifestação junto à residência oficial do primeiro-ministro, vai continuar no próximo dia 2 de Fevereiro de manhã.
É mentira, diz o dirigente sindical acusado de tentar transpor uma barreira policial durante uma manifestação de protesto em frente da residência oficial do primeiro-ministro e de desobedecer à autoridade.
É verdade, garante a subintendente da PSP que ordenou a sua detenção que diz que ele não acatou as suas ordens para se distanciar da residência de José Sócrates.
Compete agora à juíza Carla Peralta, do tribunal de pequena instância criminal, decidir quem tem razão.
O julgamento sumário iniciou-se esta tarde mas prolongou-se e nova audiência foi marcada para o próximo dia 2 de Fevereiro, de manhã.
Os factos registaram-se no passado dia 18 de Janeiro. Cerca de 500 sindicalistas concentraram-se em frente da residência oficial do primeiro-ministro, na Estrela, em Lisboa, para protestar contra os cortes salariais na Função Pública.
Finda a manifestação, muitos prepararam-se para abandonar o local, descendo a Calçada da Estrela. Intenção que os agentes da PSP que ali se encontravam, impediram de forma a assegurar que se mantivesse o perímetro de segurança, a habitual distância de cem metros da residência de Sócrates.
E foi aí que se “gerou a confusão”, explicou hoje ao tribunal José Manuel Marques, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) que foi detido durante cerca de duas horas e que se sentou hoje no banco dos réus, acusado de desobediência.
Com ele foi também detido Marco Rosa, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) que já anunciou que vai avançar com uma queixa contra a actuação da Polícia.
“Não furei nenhum cordão policial”, afirma Marques, garantindo que os polícias permitiram que ele passasse para falar com a subintendente que se mantinha firme na decisão de não deixar passar ninguém que quisesse descer a Calçada da Estrela. “O que tentei fazer foi conversar com as pessoas...”, acrescenta, notando que há 16 anos que é sindicalista e não se recorda de confrontos com a polícia naquele local. “Há um agente que me agarra, sei que alguém me prende e então há ali um tumulto”, relata à juíza.
“Mas se o deixaram passar, porquê que o agarram depois?”, pergunta a juíza.
“Isso é que é estranho”, admite Marques.
A subintendente Anabela tem “30 anos de prática de manifestações”, diz ao tribunal. Logo de início percebeu a intenção de os “senhores manifestantes” não cumprirem a ordem para se manterem afastados da residência oficial do primeiro ministro. Havia a “intenção clara de passar a barreira”, afirma, frisando em resposta a uma questão colocada pela magistrada que “não é o número de pessoas” concentradas “que conta” para a intervenção da polícia, mas a “atitude”. No seu entender, desde o princípio “havia a intenção de que as coisas não corressem bem”. Até “rebentou um petardo e fez-se crer que era um disparo da polícia”, nota a subintendente, esclarecendo que, apesar de “avisado para não o fazer”, Marques passou a barreira policial e “face a isso foi detido”.
“Ou seja, isto foi tudo um mal entendido”, observa a juíza.
O advogado do sindicalista recorre a fotografias publicadas na imprensa e a um vídeo transmitido numa televisão sobre a manifestação para tentar provar que os polícias deixavam passar Marques pelo cordão.
Três polícias testemunharam a favor da subintendente, mantendo a sua versão dos factos.
Outros três depuseram a corroborar a versão do sindicalista.
Mas o julgamento, embora sumário, não terminou porque o Ministério Público pediu para ouvir a subintendente de novo. A continuação foi marcada para o próximo dia 2, quarta feira.
Cá fora, uma concentração de dezenas de sindicalistas solidários com José Manuel Marques esperaram o fim da audiência. E quando ele saiu, saudaram-no com palavras de ordem: “A Luta Continua”.
Notícia actualizada às 21h17


