A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que marcou greves para quarta e quinta-feira, está ciente das consequências negativas da paralisação, mas considera-a necessária para alertar a opinião pública para os problemas do sector.
Em conferência de imprensa realizada hoje, o presidente da ASJP, Alexandre Batista Coelho, afirmou estar consciente "das consequências gravosas de uma greve de juízes".
Segundo a Associação, não são aspectos meramente sindicais como a redução das férias judiciais ou o congelamento da progressão nas carreiras que movem os juízes, mas o actual estado da justiça e a falta de medidas de fundo.
"As perspectivas futuras são pouco animadoras e receamos que a justiça possa entrar em colapso total", afirmou o sindicalista.
"Sabemos que a greve não vai resolver os problemas, mas serve para alertar o poder governamental para a situação que se vive na justiça", disse Alexandre Batista Coelho, acrescentando estar convicto de que a paralisação "terá uma adesão em massa".
Os juízes criticam, entre outras coisas, a "política de hostilização e demagogia do Governo e a ausência de medidas de fundo para o sector que melhorem o estrangulamento dos tribunais".
Segundo o presidente da ASJP, os motivos da greve prendem-se ainda com a forma como o Governo tem conduzido a política da Justiça, estando em causa "o Estado de Direito e a Independência dos Tribunais".
Para o sindicato dos juízes, as medidas tomadas pelo Governo "hostilizam a magistratura, agravam a forma de funcionamento dos tribunais e pioram as deficiências do sistema com prejuízo para os cidadãos".
O primeiro dia de greve dos juízes coincide, quarta-feira, com a paralisação dos magistrados do Ministério Público e com a dos funcionários judiciais.


