Júdice diz que Marques Mendes “tem uma enorme falta de memória”

30.11.2010 - 20:53 Por Maria José Oliveira
José Miguel Júdice respondeu ontem àqueles que o acusaram de falta de coerência por integrar a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva e simultaneamente lançar, numa reedição revista e actualizada, o livro “O Meu Sá Carneiro. Reflexões sobre o seu pensamento político” (D. Quixote).
Lembrando que a obra “não tem nada de original” – criticou Cavaco “quando ele era primeiro-ministro e todo-poderoso”, sublinhou -, o advogado refutou directamente Marques Mendes, que, na passada semana, na TVI, afirmou que a presença de Júdice na Comissão de Honra configurava uma “incoerência de quem quer estar com todos e contra todos ao mesmo tempo”.
A declaração do ex-líder do PSD, membro da Comissão Política da candidatura de Cavaco Silva, foi a sua reacção ao capítulo de “O Meu Sá Carneiro” no qual o autor atribui a Cavaco Silva a responsabilidade pela morte do legado do fundador do PSD.
Ontem ao fim da tarde, depois da apresentação do livro, feita por Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica, Júdice aproveitou a ocasião para ler um excerto de uma carta que enviou a Marques Mendes há quatro anos, justificando a sua saída do partido. Nesta missiva o advogado apontava que o PSD tinha “deixado de ser fiel ao legado de Sá Carneiro”, assistindo-se então à gradual adulteração da sua “essência ideológica”. E mencionava ainda a quota de responsabilidade de Cavaco e do cavaquismo na forma como o pensamento político de Sá Carneiro foi banido do partido.
“Se Marques Mendes se surpreende com o que escrevi neste livro então tem uma enorme falta de memória”, afirmou. Júdice notou ainda que sempre apoiou Cavaco quando este “precisou dele” – “mesmo nas épocas em que não apareciam os cavaquinhos” –, e manifestou-se surpreso com a tentativa de criar “tensão” com o conjunto de “críticas respigadas” para a nova edição da obra.
Antes de Júdice, Manuel Braga da Cruz citou algumas das passagens do capítulo “A Herança Desbaratada”, no qual o autor sustenta as críticas a Cavaco, nomeadamente o aumento do peso do Estado (entre 1985 e 1995), o fim da bipolarização e a transformação do PSD num partido “catch all”. “O que este livro evidencia é que Portugal não está apenas doente economicamente, mas sobretudo politicamente. E é no terreno político que deve ser encontrado um novo rumo”, disse o reitor.

