Defendendo as virtualidades da democracia representativa, a Juventude Popular (JP) pede o fim das eleições directas para a escolha do presidente do CDS-PP. Na proposta de alteração de estatutos que vai apresentar ao XXIII Congresso, marcado para os próximos dias 17 e 18 deste mês, nas Caldas da Rainha, a JP diz que o partido deve assumir o erro que cometeu ao ter instituído as directas e propõe que a eleição do líder volte a ser feita em congresso.
Consciente da “polémica” que a proposta pode suscitar, o presidente da Juventude Popular, Pedro Moutinho, antecipa, desde já, eventuais críticas, mas rejeita, à partida, o argumento da falta de legitimidade do congresso por contraponto à absoluta democraticidade de uma votação em plenário dos militantes. “Se aceitássemos esse argumento da superioridade da democracia directa sobre a democracia representativa, teríamos que pôr em causa a legitimidade da Assembleia da República, das Assembleias Regionais, das Assembleias Municipais e das pequenas Assembleias de Freguesia”, lê-se no documento de alteração de estatutos.
Já na proposta de Orientação, Política, Económica e Social, denominada “A Marcha dos Desalinhados”, os jovens populares demarcam-se da posição do líder do CDS em matéria de coligações e aproveitam para separar águas entre o PS e o PSD, partidos que Paulo Portas rotulou de fazerem parte da “República do Bloco Central”. “O CDS não é centrista nem equidistante do PS e do PSD. O PS, assim como a restante esquerda, é o nosso oponente político. O PSD é o nosso concorrente. Nestes termos, é possível um acordo entre concorrentes para prossecução dos seus interesses comuns, mas não entre oponentes”, clarifica o texto, dando conta de que “este ponto é fundamental” para a JP.
Deixando claro que o posicionamento político do CDS é de direita – “uma direita que queremos moderna, pragmática e capaz de defender políticas eficazes e competentes” –, os jovens populares sublinham, contudo, que a direita que reclamam “não se revê, minimamente, no velho chavão 'Deus, Pátria e Família’’’. “A nova direita que queremos que o CDS represente tem de agrupar em si os valores da liberdade, da responsabilidade, da equidade e da justiça”, sublinham o texto.
Frisando que “o CDS é um partido de direita e como tal deve assumir-se a apresentar-se ao eleitorado”, a JP reclama por “uma direita que não hesite em assumir a vanguarda da defesa de valores tão essenciais como a justiça fiscal, o desenvolvimento sustentável, a política energética, a descentralização administrativa (...)”. “Principalmente uma direita que não se acanhe em denunciar um país vencido, minado pela pequena (e cada vez maior) corrupção e com uma total ausência de moralidade de Estado na classe política e nas elites que nos têm governado nos últimos 34 anos”.
Na introdução à Proposta de Orientação Política, Económica e Social, a estrutura liderada por Pedro Moutinho insurge-se contra “o controlo do Estado sobre o país, a economia e os cidadãos que se refinou” ao longo dos anos, e dá conta da “corrupção que se instalou na sociedade portuguesa”. “Instalou-se na sociedade portuguesa um sistema que é preciso alimentar, instalou-se a corrupção”, refere ainda o texto, no qual os jovens democratas-cristãos clamam por um “basta” à promiscuidade entre Estado, Governo, Autoridades Reguladoras e empresas públicas e privadas”. Ao mesmo tempo, dizem também que “basta da permanente intervenção do Estado nos vários sectores da actividade, quer por via legislativa, administrativa, reguladora ou outras”.
Do ponto de vista da identidade ideológica, a JP entende que o CDS “mais do que seguir uma cartilha ideológica tem é que assumir os grandes princípios que determinam o seu ADN político” e que resumem em oito palavras-chave: Personalismo, liberdade, responsabilidade, autoridade, segurança, equidade, justiça e felicidade. “Nenhum partido pode ser cego à ideia de felicidade de cada indivíduo”, rematam.


