O primeiro-ministro, José Sócrates, recusou hoje estabelecer um pacto de regime para a Justiça com a oposição parlamentar, tal como tinha sido proposto pelo líder do PSD, argumentando que "o discurso dos pactos é usado apenas para se fingir que se governa".
No seu primeiro debate mensal no Parlamento, sobre o tema da Justiça, José Sócrates recusou a proposta de Marques Mendes para o estabelecimento de pactos de regime nesta e noutras áreas, tal como a reforma do Estado e das finanças públicas, e disse que o seu Governo não cederá à "chantagem de nenhum partido para apresentar aquilo que não concorda".
O primeiro-ministro mostrou-se disponível para acolher os contributos de todas as bancadas parlamentares da oposição, mas recusou privilegiar o diálogo apenas com um partido, no caso o PSD.
Sócrates lembrou Marques Mendes de que no passado recente o PS propôs pactos de regime ao partido que agora está na oposição (o PSD), mas o consenso em matérias como a Justiça, o saneamento das contas públicas ou a reforma do Estado nunca foi atingido.
Por essa razão, o chefe do Governo não vê como possa ser agora possível retomar essa ideia, que no passado não funcionou.
Marques Mendes vincou, na sua intervenção inicial, o desejo de ver alcançado um acordo alargado nas matérias consideradas essenciais para o desenvolvimento do país e que perdure para além de uma legislatura. "Esse seria o caminho mais duradouro para o país", sublinhou o presidente dos sociais-democratas.


