José Sócrates quer que PS aceite os resultados eleitorais "sem azedume"

01.02.2006 - 07:53 Por Lusa, PÚBLICO
O secretário-geral do PS, José Sócrates, apelou ontem à noite aos membros da Comissão Política Nacional do partido para aceitarem os resultados negativos das eleições para Presidente da República "sem azedume" e para evitarem "conflitos internos".
De acordo com fonte da direcção do PS, no seu discurso inicial na reunião da Comissão Política, José Sócrates fez várias alusões indirectas à divisão dos socialistas entre a candidatura presidencial independente de Manuel Alegre e a candidatura oficial do partido, protagonizada por Mário Soares.
No sentido de evitar qualquer ambiente de ajuste de contas com militantes que se colocaram ao lado de Manuel Alegre (que esteve ausente da reunião da Comissão Política), Sócrates vincou as características do PS como "partido democrático e moderno". "O PS aceita os resultados das eleições presidenciais sem azedume ou dramatismo e sem criar ambiente interno de conflitos", declarou o secretário-geral socialista.
No seu discurso, apesar do terceiro lugar de Mário Soares nas presidenciais, José Sócrates manifestou-se "satisfeito" com a forma como o partido se comportou ao longo da campanha.
Segundo o dirigente socialista, "o centro esquerda votou maioritariamente nas candidaturas de Mário Soares e de Manuel Alegre", mas, a partir de agora, a questão das presidenciais "está ultrapassada". "Vamos ter um ciclo de três anos e meio sem eleições. É um clima propício à unidade", sustentou, defendendo que o PS terá de se apresentar neste período como "uma força política estável e de confiança".
Sócrates substitui Coelho na Comissão Permanente
Ainda na reunião da Comissão Política Nacional do PS, Sócrates anunciou que vai liderar a Comissão Permanente, ficando com as competências de coordenação que eram exercidas por Jorge Coelho.
Antes do início dos trabalhos, o dirigente socialista afirmou que abandonou a coordenação da Comissão Permanente após as eleições presidenciais.
No entanto, Jorge Coelho sublinhou que se manterá "em todos os órgãos de direcção do PS" e que continuará "na vida política activa mas com outras funções".
Alegre em jantar com membros do "staff" eleitoral
À mesma hora da reunião da Comissão Política Nacional, Manuel Alegre encontrava-se num jantar com o staff da sua candidatura, na cervejaria Trindade, em Lisboa. Helena Roseta, que também preferiu o reencontro com os colaboradores de Alegre, justificou ao PÚBLICO que só compareceria na comissão política se considerasse que ali seria debatida "qualquer coisa de muito relevante".
Estas duas ausências foram desvalorizadas por diversos dirigentes socialistas. Osvaldo de Castro, parlamentar e apoiante de Alegre na corrida à liderança do PS, foi o único que manifestou explicitamente a sua opinião, considerando que Alegre e Roseta "deviam" ter comparecido.
A maior parte dos socialistas demonstrou uma aparente surpresa pelo facto de ambos terem recusado participar na comissão política e o ministro da Defesa, Luís Amado, declarou mesmo: "O problema é deles."
Vários dirigentes socialistas, bem como o presidente do PS, Almeida Santos, manifestaram-se, porém, a favor da continuação de Manuel Alegre no partido e de uma lógica de inclusão em relação aos militantes que apoiaram a sua candidatura presidencial. "Claro que sim", respondeu Almeida Santos, depois de interrogado sobre se aceitava que o poeta e vice-presidente da Assembleia da República prossiga a sua actividade no PS.

