José Sócrates promete responder à polémica com comunicação social

04.04.2007 - 20:52 Por Lusa, PUBLICO.PT
O primeiro-ministro escusou-se hoje a responder às perguntas dos jornalistas sobre a polémica relativa ao seu processo de licenciatura e as alegadas pressões do Governo à comunicação social, noticiadas nos últimos dias pela imprensa.
José Sócrates deslocou-se hoje ao Parlamento, onde assistiu à interpelação do Bloco de Esquerda ao Governo sobre emprego, e à saída do plenário foi confrontado com as questões dos jornalistas, mas remeteu-se ao silêncio, afirmando apenas: "Terão notícias a seu tempo".
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, defendeu hoje que as acusações de tentativa de condicionamento dos "media" pelo Governo constituem "uma campanha de calúnias" que têm sido "sistematicamente invalidadas" pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Os telefonemas de assessores de imprensa para os jornalistas de vários jornais motivaram um artigo publicado na última edição do semanário "Expresso", intitulado "Impulso Irresistível de Controlar", que vai ser analisado pela ERC.
A entidade reguladora anunciou que vai ouvir David Damião, assessor de imprensa do primeiro-ministro, e o jornalista Nuno Saraiva, autor do texto em causa.
A ERC decidiu também chamar os directores de informação da Rádio Renascença e da SIC-Notícias, Francisco Sarsfield Cabral e Ricardo Costa, respectivamente, o director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes, e o jornalista Ricardo Dias Felner.
No artigo do "Expresso" relatava-se a forma como o gabinete do primeiro-ministro reagiu à publicação, dias antes, de uma notícia do PÚBLICO que apontava falhas e contradições no processo de licenciatura de José Sócrates.
Sarsfield Cabral e Ricardo Costa relataram como foram contactados por assessores do primeiro-ministro quer para protestar o eco dado à notícia, quer para a desvalorizar.
Num longo artigo, em que cita os três directores, o semanário analisa a "sofisticação" e o "profissionalismo" com que o gabinete de Sócrates gere a informação e afirmava mesmo que, ao "longo da semana que durou a investigação do PÚBLICO, o 'Expresso' apurou que José Sócrates ligou, pelo menos, seis vezes ao jornalista que investigou a história".

