José Sócrates, reeleito na noite passada secretário-geral do PS com 97 por cento dos votos, numa candidatura sem adversários, interpretou hoje a sua vitória como um sinal de apoio dos militantes socialistas às políticas do Governo.
Numa curta declaração aos jornalistas, na sede nacional do PS, em Lisboa, José Sócrates começou por agradecer "a confiança" dos militantes socialistas. "Interpreto-a como um sinal claro de apoio dos militantes do PS à linha política de governação que temos seguido", continuou o dirigente socialista, sublinhando que essa linha política é “fundamental para construir um país melhor, para fazer as mudanças que são necessárias para que os portugueses e Portugal possam encarar com mais optimismo o seu futuro".
Na declaração após a vitória, Sócrates acentuou o número de votantes que participaram no processo, "mais de 25 mil militantes”, num total de mais de 80 mil militantes, 32 mil dos quais com quotas pagas, segundo fonte oficial. "Os números espelham bem um partido mobilizado, atento, interveniente, que está bem consciente das suas responsabilidades e que deseja participar na política e no debate sobre os problemas do país", defendeu.
José Sócrates reforçou depois que essa participação nas eleições directas para a liderança socialista e a escolha dos delegados ao congresso "diz bem que o PS é um partido atento, vivo e mobilizado para a sua intervenção cívica". "O PS parte, portanto, para um congresso que se vai realizar daqui a duas semanas, bem consciente das suas responsabilidades para com o país, que advêm de ter tido uma maioria absoluta há um ano meio", considerou.
O secretário-geral do PS insistiu que o XV Congresso Nacional do partido, agendado para 10, 11 e 12 de Novembro, em Santarém, servirá para discutir "os temas da governação, o futuro do país".
Sócrates encerrou depois o seu discurso sublinhando "a honra pessoal" que sente ao ser eleito pela segunda vez líder do PS, "um partido que se confunde com a história da democracia" em Portugal, afirmou, e que neste momento o seu "principal pensamento" vai para os socialistas. "Tudo farei para estar à altura da confiança que depositaram em mim. Tu do farei para estar à altura da história e da tradição do PS", declarou, perante muitos dirigentes do PS, entre eles o presidente do PS, Almeida Santos, os secretários nacionais Pedro Silva Pereira, Vieira da Silva, Marcos Perestrello, Luís Amado, Capoulas Santos, Idália Moniz, Edite Estrela e o líder da JS, Pedro Nuno Santos.
Com os votos de 90 por cento das secções socialistas contabilizados, contaram-se 24.713 votos em José Sócrates, 97,2 por cento, e 714 votos brancos ou nulos, 2,7 por cento.
Na eleição de delegados, as listas afectas à moção de José Sócrates elegeram 1384 delegados, cerca de 99 por cento, contra nove da moção encabeçada por Helena Roseta (0,6 por cento) e seis de Fonseca Ferreira (0,4 por cento).
Em 2004, quando disputou a corrida à liderança com Manuel Alegre e João Soares, o actual secretário-geral obteve mais de 28 mil votos, sendo eleito com uma percentagem de 81 por cento.
Além dos 1570 delegados que serão eleitos directamente pelos militantes do partido, o congresso do PS contará ainda com a presença de 300 delegados inerentes (por fazerem parte dos órgãos nacionais do partido) com direito a voto.
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