José Sócrates: escolha no referendo é entre a modernidade e o conservadorismo

09.02.2007 - 08:08 Por Lusa, PUBLICO.PT
José Sócrates considera que a escolha no referendo de domingo sobre a despenalização do aborto é "entre a mudança e a modernidade", com o voto no "sim", e o conservadorismo, através do voto no "não".
"A escolha que se coloca aos portugueses é saber se Portugal se resigna a ficar no lote dos países mais conservadores, ou se abraça a modernidade, alterando a sua lei penal, e se junta aos países mais desenvolvidos", sustentou Sócrates na sua última intervenção pública na campanha para o referendo, ontem à noite.
José Sócrates comentou ainda as propostas de defensores do "não" a favor da suspensão dos julgamentos das mulheres que praticam o aborto, embora mantendo a criminalização do acto. "Têm aparecido nos últimos dias soluções criativas, mas são movimentos sem mudança. A única escolha de mudança é o voto no sim", advogou.
"Não são as sondagens que mudam o país"
O primeiro-ministro e secretário-geral do PS advertiu ainda os defensores do "sim" para os riscos inerentes ao facto de as sondagens serem favoráveis à sua intenção de voto. "Não são as sondagens que mudam o país. Só o voto dos portugueses pode mudar e, no próximo domingo, quem vai legislar é o povo e não os deputados. Este é o momento de o povo falar", declarou.
O secretário-geral do PS respondeu também a quem o tem criticado por ter apoiado o voto no "sim" ao longo da campanha para o referendo. "Seria possível conceber que o partido que propôs o referendo, que se bateu pela realização desta consulta, não tivesse agora posição?", interrogou-se. "Este é o momento para que os políticos assumam as suas convicções, se batam por elas, e não se escondam em calculismos", declarou.
Segundo José Sócrates, a proposta de despenalização do aborto "é equilibrada, moderada", não caindo "em experimentalismos ou aventureirismo". "Queremos combater o aborto clandestino" e "transferir das polícias e dos tribunais casos que são dos sistemas de saúde e de segurança social".
Sócrates defendeu ainda que os socialistas "fizeram uma campanha moderada, com elevação e superioridade, respeitando os pontos de vista contrários". "Queremos um novo consenso social baseado nas convicções e na responsabilidade de cada um, onde ninguém seja obrigado a sujeitar-se e a viver de acordo com convicções particulares de terceiros. As convicções de cada têm de ser equilibradas com a liberdade", disse.
Suspensão dos julgamentos é uma solução de "meias tintas"
No primeiro discurso da noite, a presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, Maria Manuela Augusto, defendeu que só o voto no "sim" permitirá acabar com o aborto clandestino. A dirigente socialista classificou como "meias tintas" a solução a favor da suspensão dos julgamentos, que tem sido avançada por defensores do "não".
Segundo a organização do PS, compareceram no jantar a favor do "sim", no Centro de Congressos de Lisboa, mais de mil pessoas.
Na mesa, para além de José Sócrates e do líder parlamentar do PS, Alberto Martins, estiveram sentados oito ministros: Alberto Costa, António Costa, Pedro Silva Pereira, Manuel Pinho, Jaime Silva, Correia de Campos, Maria de Lurdes Rodrigues e Nunes Correia.

