O primeiro-ministro, José Sócrates, aceitou hoje a demissão do ministro da Economia, Manuel Pinho, na sequência do incidente na Assembleia da República, durante o debate do estado da Nação. A pasta ficará a cargo do actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
Em causa está o gesto de Manuel Pinho em que este colocou os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. Recorde-se que o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, a quem se dirigiu o gesto, tinha feito saber que considerava que o ministro se devia demitir.
Já antes o primeiro-ministro tinha feito durante o debate do estado da Nação uma declaração inédita onde condenou o comportamento “inaceitável” do ministro da Economia. “É meu dever apresentar um pedido de desculpas”, disse José Sócrates aos deputados e à Assembleia da República, em nome do Governo.
“É um acto de um membro do Governo é inaceitável e que lamentamos profundamente”, acrescentou José Sócrates, depois de Manuel Pinho ter colocado os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. E sublinhou: "Bem sei que o senhor ministro já disse estar arrependido. Mas nada justifica o acto".
Também o líder parlamentar socialista considerou o “acto inaceitável” e lamentou “profundamente” o “acto de um membro do Governo”. Contudo, Alberto Martins congratulou-se com a atitude de José Sócrates, por enquanto chefe do Executivo ter feito um pedido de desculpas formal no Parlamento. Por sua vez, o presidente da Assembleia da República, depois de ter ouvido todas as bancadas a propósito do “insólito” incidente disse que “na relação formal com a Assembleia” o dá por sanado. Jaime Gama insistiu, ainda assim, que aquilo a que se assistiu foi “lastimável” e “não devia ter ocorrido”.
Antes de o primeiro-ministro falar, o líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, exigiu um pedido de desculpas formais pelo gesto de Manuel Pinho no Parlamento e que o Governo tire consequências políticas do que aconteceu. “É intolerável e anti-democrático”, disse Rangel.
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, exigiu que o primeiro-ministro se demarque do gesto de Manuel Pinho no debate do estado da Nação. “Se o primeiro-ministro se vai demarcar de um gesto que foi feito que o faça aqui [no hemiciclo parlamentar] e não lá fora aos jornalistas”, disse Paulo Portas durante o debate. Também Ana Drago, do Bloco de Esquerda, afirmou que este incidente mostra “que ministros que não sabem estar neste debate, não devem estar neste debate”.
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