Jornal de Sexta da TVI terminou para defender o seu conteúdo, diz administrador

02.03.2010 - 17:28 Por Maria Lopes
A administração da TVI acabou com o Jornal Nacional de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes, para "defender a independência, rigor e isenção" do conteúdo daquele bloco informativo, defende o administrador-delegado, Bernardo Bairrão.
O administrador-delegado da Media Capital, disse esta tarde na Comissão de Ética, onde está a ser ouvido, que o conselho de administração daquele canal só pretendeu "acautelar a defesa do conteúdo" do Jornal de Sexta ao acabar com a sua emissão nos moldes em que existia e negou qualquer actuação à margem da lei.
"Não nos revíamos minimamente nas críticas que eram feitas ao Jornal de Sexta", garantiu, referindo-se aos ataques ao conteúdo daquele programa. "A nossa dúvida prendia-se apenas com o estilo da apresentação do jornal. Realce-se que em momento algum se desmentiram as notícias que ali eram emitidas", afirmou Bernardo Bairrão.
Bairrão negou que tenha sido a Prisa a tomar a decisão de acabar com o Jornal de Sexta, colocando a responsabilidade na órbita apenas das administrações da Media Capital - onde estão três representantes directos da Prisa, incluindo o seu presidente - e da TVI. Foi a equipa de gestão desta última que teve a última palavra, depois de consultada a Media Capital.
Contou que "o assunto era discutido nas reuniões da administração desde Março ou Abril", não com enfoque nas críticas ao conteúdo, mas sim no estilo. A situação tornou-se mais complicada com as deliberações, no final de Maio, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, com criticas ferozes o estilo de apresentação.
"Obviamente que não foi por causa das críticas do primeiro-ministro que o acabou o Jornal de Sexta; obviamente que o avolumar de críticas como as da ERC, que é o regulador e nos renova a licença, ou do Sindicato, não é assim tão indiferente", afirmou o administrador.
"Nós não fomos insensíveis" a estas duas entidades, reforçou Bernardo Bairrão, acrescentando que as intenções da administração eram "uniformizar o jornal e defender o conteúdo informativo do ataque de que estava a ser alvo". O administrador recusou qualquer alteração da linha editorial porque isso, reconheceu, seria uma ilegalidade e a equipa de gestão queria ter o cuidado de não pisar "essa linha".
Notícia actualizada às 18h15

