O ex-Presidente da República Jorge Sampaio defendeu a existência de mais meios para a investigação criminal e, por outro lado, o reforço do estatuto da oposição numa maioria absoluta.
Numa entrevista gravada na quarta-feira e transmitida hoje pela Antena 1, Jorge Sampaio, que falou também do seu passado político, considerou que "quando se lida com uma criminalidade mais evoluída é preciso saber os meios que existem".
O ex-chefe de Estado criticou o facto de haver com frequência acusações sem condenações, considerando que "há um problema de meios ligados às possibilidades de sucesso".
Para o ex-Presidente, a investigação "exige grandes esforços e meios", nomeadamente laboratórios da polícia científica mais bem dotados, que têm de ser postos ao serviço contra a criminalidade sofisticada.
Oposição e ex-procurador
Relativamente à questão das maiorias absolutas no Parlamento, Jorge Sampaio defendeu a "necessidade dos direitos de oposição".
"As oposições têm feito um trabalho esforçado", mas "gostaria de ver a oposição com um estatuto mais claro", afirmou o ex-chefe de Estado.
"O país precisa de saber se há alternativas ou se há consensos. É difícil escolher o trilho da oposição quando há maioria absoluta", disse igualmente o ex-Presidente.
Falando do anterior procurador-geral da República, Souto Moura, Jorge Sampaio disse não ter pensado em demiti-lo na altura do caso do envelope 9 e especificou que o que pediu foi que "fosse feito um esclarecimento".
Entrada da Turquia na União
O ex-Presidente da República manifestou também alguma preocupação em relação à questão da entrada da Turquia na União Europeia, à qual é favorável, considerando que se está perante uma "encruzilhada séria".
"A questão turca é decisiva, mas vai demorar tempo, e a opinião pública na Turquia está a ficar descrente da Europa", alertou Sampaio, considerando que se trata de um país "muito importante, que tem feito um esforço de actualização [o Estado é laico desde 2003] e com uma situação geo-estratégica muito importante".
O ex-Presidente pediu, por isso, aos cidadãos e decisores que "não precipitem as coisas na Turquia" e defendeu ainda a necessidade de "pluralismo na Europa".
A tuberculose
Sobre a tuberculose, um problema a que se tem dedicado ultimamente, Jorge Sampaio defendeu "mais empenho e liderança para trazer a tuberculose para a actualidade".
Simultaneamente, Jorge Sampaio disse que é necessário mais dinheiro - "faltam alguns biliões" -, canalizá-lo e coordená-lo, nomeadamente para a investigação, pois estão a aparecer novas formas da doença e nos países de Leste "a multi-resistência está a ganhar uma nova forma da qual não se conhece os contornos".
Num regresso ao passado, Jorge Sampaio classificou a sua vida - política e pessoal - como "serviço cívico com prazo certo" e afirmou ter-se sentido "bem quando entrou e quando saiu" da Presidência da República.


