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O dirigente irá dedicar-se em exclusivo ao partido

Jorge Coelho recusa Governo e toma conta do PS

25.02.2005 - 09:46 Por João Pedro Henriques, PÚBLICO

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Jorge Coelho alega razões pessoais para não querer integrar o futuro Governo de José Sócrates Jorge Coelho alega razões pessoais para não querer integrar o futuro Governo de José Sócrates (André Kosters/Lusa)
Jorge Coelho recusa integrar o Governo - alegando razões pessoais -, o que lhe permitirá reforçar o seu poder no PS, agora que grande parte dos dirigentes mais próximos de José Sócrates se prepara para integrar o Executivo.

Segundo disseram ao PÚBLICO membros do secretariado nacional do PS - que é o principal orgão executivo do PS -, Jorge Coelho irá manter-se na coordenação do pelouro autárquico, tendo já há muito combinado com José Sócrates que não iria para o Governo. A coordenação do pelouro autárquico permitirá ao ex-número dois de António Guterres manter uma ligação profunda ao aparelho do partido.

No fundo, Coelho voltará a ter funções de coordenador-geral do PS que assumiu quando, na legislatura 1999-2002, deixou o Governo (por causa da queda de ponte de Entre-os-Rios), dedicando-se em exclusivo ao partido. Depois do Governo de Sócrates ser formado, a direcção nacional do PS irá discutir internamente que alterações serão necessárias fazer para adequar a sua coordenação executiva à coordenação da acção governamental e da acção parlamentar.

As conversas ainda não se iniciaram, porque ainda não se sabe quem fica em exclusivo na direcção do partido ou quem acumulará essas funções com outros desempenhos.

Falta, por outro lado, definir os moldes em que será dada continuidade ao fórum Novas Fronteiras, a reedição dos Estados Gerais para uma Nova Maioria (1995) que o PS organizou na pré-campanha eleitoral e cujos calendários foram subitamente apertados (a sessão de abertura passou a sessão de encerramento) pela antecipação das eleições legislativas.

Tanto José Sócrates como António Vitorino, coordenador geral da iniciativa, prometeram já dar continuidade a este "movimento". Foi do fórum Novas Fronteiras que saiu o programa eleitoral do PS - e do qual sairá o programa de governo, a ser debatido nas próximas semanas no Parlamento. Em várias ocasiões, na campanha e na pré-campanha, José Sócrates deu a entender que do grupo de independentes que colaboraram com o PS no fórum Novas Fronteiras sairiam alguns membros do seu Governo.

"Motivação" para o PS

Ontem, no "Diário de Notícias", Jorge Coelho assinou um artigo cheio de avisos quanto ao papel do PS nos próximos anos. Intitulado "Uma pergunta: e agora?", o dirigente socialista recordou - embora sem entrar em detalhes - que "a relação entre o Governo e o PS nem sempre foi uma relação fácil e nalguns casos perdeu-se a capacidade crítica (de forma construtiva)". No passado foram "cometidos erros" e é agora necessária que eles suscitem uma "aprendizagem" para "evitar que se repitam" no futuro.

Segundo acrescentou, o PS fez agora "um gigantesco esforço e conseguiu esta vitória", sendo assim "preciso mantê-lo mobilizado, combativo", além de "continuar a lutar activamente pelo seu projecto". "Por isso - escreveu ainda -, se hoje o Governo é muito importante, o enquadramento e a motivação do PS não o são o menos." Por outras palavras: no entender de Jorge Coelho, José Sócrates não pode voltar a cometer o erro de Guterres, que, sobretudo no segundo mandato, se alheou completamente do PS, deixando-o, na prática, sem uma liderança devidamente legitimada para tal.

Ferro mais perto de Lisboa

A preparação das eleições autárquicas, que deverão ter lugar ou no fim de Setembro ou no final de Outubro, será portanto a próxima tarefa de Jorge Coelho - a quem coube, aliás, a coordenação operacional da campanha eleitoral que deu ao PS a primeira maioria absoluta da sua história.

Uma das prioridades é reconquistar Lisboa e algures em Março deverá ser anunciado o cabeça de lista, bem como os termos da reedição (ou não reedição) da coligação de esquerda na qual o PS assentou as suas vitórias com Jorge Sampaio e João Soares.

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