O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, garante que é ele a “verdadeira oposição" ao executivo de José Sócrates, numa crítica à nova liderança do PSD, a quem acusa de partilhar a "escola orçamentista" do executivo socialista.
“Não chamo oposição àqueles que quando o Governo diz que é verde, eles dizem que é verde-escuro. Chamo oposição quando o Governo diz que é verde e eu digo que é vermelho”, afirmou o líder do PSD-Madeira, à margem de uma deslocação a uma feira agrícola em Porto Moniz.
Jardim diz não gostar da “desumanização da política” praticada em Portugal e na Europa, em que “tudo funciona em torno do défice”. “É a mesma política do tempo de Salazar, é a mesma política orçamentista”, acusou, lamentando que o Governo e “alguma oposição” coincidam nesta matéria.
“É por isso que digo: Eu é que sou a verdadeira oposição àquilo que se passa no continente”, insistiu.
“As escolas orçamentistas criticam-me por fazer obras que serão pagas pelas diversas gerações que se seguem e que não se deve ficar a dever. Eu penso ao contrário, estas obras tanto vão servir as gerações actuais como as futuras que também terão de ajudar a pagá-las”, acrescentou, numa referência às difíceis relações com o Ministério das Finanças, por incumprimento da Lei de Finanças Regionais.
É graças a estas políticas economicistas, sublinhou, que o país “tem um grau de desemprego como nunca se viveu em Portugal desde o 25 de Abril”.
Jardim acusou também o Governo da República de “não estar a fazer obra na Região Autónoma da Madeira”.“O Estado apenas tem cá os militares, as forças de seguranças e os tribunais, que é para nos vigiar”.
Nesse sentido, voltou a defender uma revisão do estatuto do arquipélago, no âmbito de uma revisão constitucional, sustentando que, apesar de não ser “separatista”, quer que a região “tem que ter outras leis, para que os seus representantes, eleitos pelo povo, tenham condições de trabalhar por ele”.
“A grande questão do futuro é se o Estado deixa ou não deixa que a região, dentro da mesma pátria, consiga as formas adequadas para que os madeirenses sigam o seu futuro. E, se o Estado não deixar, o que vamos fazer a seguir”.


