O secretário-geral comunista pediu hoje o reforço da CDU nas eleições legislativas para “ter condições de exigir a participação num governo patriótico e de esquerda” e recusou um executivo de “união nacional”, garantindo que “o PCP não se vende”.
“Há portugueses bem-intencionados que acham que o PCP devia estar no Governo”, afirmou Jerónimo de Sousa, pedindo mais votos aos portugueses que “sinceramente” o defendem: “Reforcem a CDU e com certeza estaremos em condições de exigir a participação num governo patriótico e de esquerda”.
Mas, acrescentou, há “vozes oriundas do grande capital e da direita” a pedir um governo de união nacional. “Aos que propõem uma união nacional - além da carga histórica que existiu no tempo do fascismo -, dizemos: somos uma força que não se vende nem se rende. O nosso compromisso é com os trabalhadores e com o povo. Só quando o povo quiser é que estaremos no Governo e não por favor dos interesses da direita”, afirmou, numa declaração que foi aplaudida de pé pelos cerca de mil militantes comunistas que hoje participaram em Lisboa num encontro nacional de preparação das eleições antecipadas.
O PCP pede “um governo para salvar o país e não um governo dito de salvação nacional, juntando os mesmos que têm enterrado o país” e um executivo “cuja viabilidade e apoio político e institucional está nas mãos do povo português, com a sua luta e o seu voto”.
O secretário-geral comunista centrou as críticas no PS e no PSD, comentando o encontro que os líderes dos dois partidos mantiveram na véspera da apresentação do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC 4). “Vemo-los todos os dias em acrobáticas manobras de retórica, a dar o dito por não dito, a afirmar e defender o que antes negavam, a pôr ao sol os seus encontros secretos”, disse Jerónimo de Sousa, acrescentando que os dois partidos vão apresentar nas eleições “um programa comum de governo”, ou seja, “as medidas de austeridade e de agravo do FMI”.
O dirigente do PCP avisou ainda que PS e PSD “não são fiáveis”. “As garantias do PS e de Sócrates não são de fiança de coisa nenhuma. Quem muda como um catavento, quem muda de discursos e objectivos, não merece confiança dos portugueses”, disse.
Mas, para Jerónimo de Sousa, o PSD “age da mesma forma, limpando a folha dos compromissos e das responsabilidades com a mesma frequência com que muda de líder”, declarou. “E agora o próprio líder vai mudando já, de vez em quando, nunca se sabendo quando é que pede desculpa, quando é que diz uma coisa e faz outra”, afirmou.
Na sua intervenção de encerramento, Jerónimo de Sousa rejeitou a ideia de que os políticos são todos iguais e acentuou a “abissal diferença” entre PCP e PS, PSD e CDS. Somos, como comunistas, seres humanos com virtudes e defeitos, mas onde somos diferentes é na forma de estar na política, resgatando o que ela tem de mais nobre: agir colectivamente para servir os interesses dos trabalhadores e do povo e não para nos servirmos”, declarou.


