Jerónimo recusa comparar vitória do PSD como regresso ao Estado Novo

23.09.2009 - 16:01 Por Maria Lopes
O secretário-geral do PCP recusou hoje fazer uma comparação entre uma eventual vitória do PSD nas eleições de domingo e um regresso ao tempo do fascismo. Mas lembra que o partido já teve alguns “traços anti-democráticos” quando no poder como as cargas contra trabalhadores e polícias.
“Mesmo com todas as críticas à politica de direita, muitas vezes aqui ou acolá com um traço anti-democrático, mas não faço essa comparação histórica porque isso não aconteceria”, afirmou Jerónimo de Sousa quando questionado pelos jornalistas sobre a colagem que o deputado socialista José Junqueiro insiste em fazer entre o PSD e o Estado Novo.
“O PS, à falta de conseguir marcar as diferenças entre PS e PSD no plano da política económica e política social encontrou aqui um papão para tentar atrair votos da esquerda”, apontou Jerónimo de Sousa. Um subterfúgio, acusa o líder da CDU, já que “no essencial”, quando se olha “para os programas e políticas realizadas, aí a diferença não é nenhuma. Aliás, se essa diferença fosse tão grande como o PS manifesta não teria votado, por exemplo, na candidatura de Durão Barroso”.
Apesar de não assinar essa comparação, Jerónimo lembra que “a direita, e sobretudo o PSD quando esteve no poder, também teve ali traços e tiques anti-democráticos”. Como exemplos recorda “as cargas policiais contra trabalhadores, contra a própria polícia”. “Mas daí a considerar que qualquer hipotética vitória - que eu acho que não vai acontecer - do PSD seria o regresso ao 24 de Abril, isso não concordo.”

