Os altos níveis de desemprego e as dificuldades económicas das famílias do Vale do Ave dominaram esta manhã a campanha da CDU, com Jerónimo a apontar baterias ao Governo sobretudo por causa da legislação laboral e das normas do subsídio de desemprego.
Sempre acompanhado pelo seu único deputado eleito pelo distrito de Braga, Agostinho Lopes, o líder da CDU não se cansou de repetir que esta não é apenas uma visita de circunstância em busca de votos: o deputado costuma fazer por ali rondas frequentes “sem pensar na cor de cada freguesia”. Talvez por isso haja agora quatro freguesias de maioria CDU no concelho de Guimarães.
Jerónimo apelou ao voto “para dar mais força à CDU”, mas ainda não falou sobre objectivo de novo número de deputados, como fez nos últimos dois dias em Setúbal e no Alentejo. Esta sua aposta num distrito “novo” – 2005 marcou a estreia de um deputado em Braga – foi reforçada para as eleições deste ano. “Vamos apresentar mais listas do que nas autárquicas em todo o país, especialmente no Norte e Centro do país”, confirmou Jerónimo aos jornalistas.
Em Moreira de Cónegos, cuja Junta de Freguesia é CDU, Jerónimo disse que a coligação propõe o “aumento do salário mínimo nacional gradualmente até 600 euros até 2013 e a valorização dos restantes salários.” Foi interpelado por um habitante que contou que muitas empresas da região “não chegam sequer a pagar o salário mínimo” e lhe pediu para levar “um recado para o comentador da RTP que diz que daqui a dois anos haverá novas eleições”.
“Diga-lhe o senhor, que eu não tenho voz: é preciso combater as desigualdades nos salários entre os que ganham pouco e médio e os de muito”, pedia, com insistência, Fernando Costa.
Às quase duas centenas de pessoas que se juntaram para ver Jerónimo, o secretário-geral do PCP lembrou as 500 pessoas que estão desempregadas em Moreira de Cónegos – cerca de dez por cento da população -, que são novas demais para a reforma, mas que têm um “futuro inquietante” porque não encontram trabalho e o subsídio de desemprego “não dura sempre”. As falências do Vale do Ave e a falta de apoios do Governo aos micro e pequenos empresários “são o sinal da destruição do aparelho produtivo”.
Paragem inusitada no cemitério
A agenda era preenchida e apertada: Jerónimo seguiu então para Gandarela, freguesia vizinha, também comunista, e que foi a única do distrito de Braga que deu a vitória a Jerónimo nas presidenciais e também colocou a CDU em primeiro lugar nas europeias. Vinte minutos de paragem para beijos e discurso parecido com o anterior e de volta à estrada.
De repente, sem estar previsto, a caravana de carros descaracterizados pára na localidade de Serzedelo, mesmo em frente ao cemitério. Havia algumas pessoas na rua à espera de ver passar o líder da CDU – “a maior parte estava na missa porque a terra é muito católica”, disse Jerónimo -, que saiu, cumprimentou todos com o ensaio da banda como música de fundo. O local não deixou Jerónimo constrangido: “Por mais voltas que se dê, é um casa para onde iremos. Dali ninguém foge”, comentou.
Foi em Pevidém que o líder da CDU teve mais gente a ouvi-lo. Voltou a falar das dificuldades da região, cujas empresas são cada vez mais “fantasmas” em vez de locais de produção. E contou que a CDU propôs, por sete vezes, no Parlamento “o alargamento do período do subsídio de desemprego e das condições de acesso”. Mas das sete o PS disse não.
Jerónimo almoça agora num piquenique com apoiantes na margem do rio Cávado, na praia fluvial de Merelim de S. Paio e à tarde tem uma prova de fogo no Porto, com o comício no Palácio de Cristal.


