O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, manifestou-se hoje preocupado com a "convergência de posições" entre o novo Presidente da República, Cavaco Silva, e o Governo liderado por José Sócrates.
"Bastaria verificar a similitude do discurso, nas palavras e nos temas, para considerar que vai de facto haver cooperação nas principais questões da política nacional que o Governo está a executar mal na nossa opinião", afirmou.
Após cumprimentar o novo chefe de Estado, Jerónimo de Sousa considerou que o discurso de Cavaco Silva "não acrescentou preocupações em relação à convergência de posições, mas também não as diminuiu".
"Assumiu claramente um papel de cooperante, mas activo. A vida é que irá demonstrar se tínhamos ou não razão em relação às preocupações manifestadas na campanha eleitoral", disse Jerónimo de Sousa, um dos candidatos derrotados por Cavaco Silva nas eleições de 22 de Janeiro.
"Uma grande parte do discurso tem a ver com políticas sectoriais, não é difícil encontrar semelhanças com o discurso do primeiro-ministro empossado e este discurso", disse.
Para Jerónimo de Sousa, ficou claro que "houve um sublinhar muito forte de que [Cavaco Silva] não está numa postura de cooperante, mas sim de interventivo".
"Em que sentido, vamos ver. A melhor prova do pudim é comê-lo", concluiu.
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