O secretário-geral do PCP disse hoje, em Espinho, que os “portugueses vão ver a sua vida andar para trás” com o Orçamento de Estado para 2011, cuja viabilização foi acordada entre o Governo e o PSD.
Jerónimo de Sousa falava no encerramento da VIII da Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP, que decorreu na Junta de Freguesia de Espinho.
O líder comunista dedicou parte da sua intervenção ao orçamento para 2011 e ao acordo a que chegaram, na sexta-feira, socialistas e social-democratas para a sua aprovação, salientando desde logo que, “na verdade, não há divergência de fundo” entre os dois partidos.
O culpado por este orçamento é o PS, apontou, “mas o PSD ajudou à pancada nos cortes nos salários e nos direitos dos trabalhadores, nas prestações sociais, no subsídio de desemprego e no congelamento das reformas”.
Os dois partidos “sempre estiveram de acordo” com vários cortes na área social e, continuou Jerónimo de Sousa, nas “mordomias para os grandes interesses económicos e financeiros e no banquete das privatizações que este Orçamento lhes garante”.
“O que tem estado em causa no continuado conflito público a que assistimos com a acentuação da dramatização à volta da aprovação do Orçamento nunca foram medidas de fundo, nem propostas alternativas, mas pequenas nuances para criar a ilusão de que são diferentes”, conclui.
O secretário-geral do PCP advertiu depois que os comunistas têm o “dever de alertar aqueles portugueses que, defraudados com o PS, pensam em apoiar o PSD que acabarão mais cedo que tarde por sentir nas suas vidas não só o que o PS propôs mas o que o PSD aprovou”.
“Ontem havia acordo. Hoje é só meio acordo porque vai ser preciso um PEC4. O que isto vai dar é que vão tirar de um lado e pôr noutro, mas com os mesmos sempre a pagar. Isto já não é teatro, é uma farsa”, considerou também.
Para Jerónimo de Sousa, “este Orçamento é a negação da política que o país precisa porque renuncia ao crescimento económico, à criação de emprego e ao desenvolvimento, para dar lugar ao regresso, a todo o vapor, da ditadura do défice”.
Jerónimo Sousa também criticou o Presidente da República, sustentando que “a candidatura de Cavaco Silva aproveitou a falsa rutura das negociações” entre o PS e o PSD sobre o orçamento para encenar ainda um maior dramatismo aos acontecimentos”.
O líder comunista concluiu esta ideia afirmando que o que Cavaco fez, com a sua atuação nos últimos dias, foi promover o “consenso da desgraça e da ruína do país, que incentivou ao leme da Presidência da República nestes últimos cinco anos”.
As eleições presidenciais são “outra importante frente do combate” que o PCP trava “pela ruptura e pela mudança”, frisou, considerando que Francisco Lopes, o concorrente dos comunistas àquela disputa eleitoral deve ser projectado como “a candidatura dos que não se rendem, nem capitulam perante os objectivos e a chantagem dos grandes interesses”.


