O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, garantiu hoje no Seixal que os comunistas "continuam a lutar contra a política de direita do PS" e advertiu que "não adianta pedir o silêncio e a resignação do PCP".
Jerónimo de Sousa falava a centenas de militantes comunistas que trabalham nos preparativos da Festa do Avante, a realizar em Setembro, durante um almoço no novo refeitório da Quinta da Atalaia.
"Não venham pedir resignação e silêncio ao PCP. Nós temos propostas, continuamos a considerar que o crescimento económico é fundamental e que a obsessão do défice se deve submeter à necessidade objectiva do crescimento económico", disse Jerónimo de Sousa, que apelou a uma mudança da política do Governo socialista.
"Em vez de ir buscar aos bolsos vazios dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, é preciso ir buscar aos sacos cheios do grande capital, do sector privado, do sector bancário, das seguradoras, da especulação imobiliária, da especulação bolsista. Vão buscar onde há, não vão buscar a quem não tem, porque enquanto isso acontecer não há solução para o país", afirmou o líder comunista.
Depois de se congratular com a adesão de mil novos militantes desde o passado mês de Janeiro, Jerónimo de Sousa teceu duras críticas à política do Executivo e insurgiu-se contra o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, que considerou "populistas" as propostas apresentadas pelo PCP para que a banca - em vez dos actuais 12 por cento, pagasse, pelo menos, 20 por cento de IRC.
"Também é populista dizer que cinco administradores do Banco de Portugal custam ao erário público 350 mil contos. Não é 350 mil euros, são 350 mil contos", frisou o líder comunista, defendendo que Vítor Constâncio deveria dar o exemplo, abdicando das mordomias do cargo que exerce.
"A quem se dirige aos trabalhadores da administração pública a pedir sacrifícios, nós dizemos: senhor Vítor Constâncio, comece por si, deixe de ter as mordomias, deixe de ter os privilégios que tem no nosso país", desafiou ainda Jerónimo de Sousa.


