O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que nos próximos tempos será “incontornável a luta de massas”, defendendo a estabilidade social, mesmo que à custa da instabilidade governativa.
Jerónimo de Sousa, que intervinha no final de um almoço-convívio com apoiantes na Baixa da Banheira, na Moita, criticou propostas do novo governo de José Sócrates, a quem acusou de não ter aprendido a lição depois da perda da maioria absoluta nas eleições legislativas.
“Nós não lhe podemos permitir a vitimização, mas não lhe podemos permitir que continue a governar como se não se tivesse passado nada, como se durante o último mandato não se tivessem realizado as maiores lutas de massas desde o 25 de Abril”, disse o líder comunista, sustentando que o primeiro-ministro “tem de saber aprender a ouvir o povo, os trabalhadores, naquilo que são os seus anseios, as suas reivindicações, os seus direitos”.
“É incontornável que, num quadro muito complexo, exista a necessidade do desenvolvimento da luta de massas”, afirmou Jerónimo de Sousa, que rejeitou “a luta pela luta”.
O líder do PCP deixou um alerta: “Vão fazer tudo para que a luta seja entendida como um factor de desestabilização da tal estabilidade política que eles pretendem, mas temos de desmistificar isto”, disse, lembrando que o anterior governo teve maioria absoluta e que “não foi por falta de estabilidade política que este governo falhou e foi punido nas eleições”. “Entre a estabilidade governativa e a instabilidade social, preferimos a estabilidade social, mesmo que isso provoque a instabilidade governativa”, sublinhou.
Jerónimo de Sousa criticou o que disse ser “uma novidade” anunciada pelo primeiro-ministro no debate do programa do Governo, que decorreu quinta e sexta-feira no Parlamento: “repartir a riqueza pelos mais ricos, repartir a pobreza pelos quase pobres e por quem trabalha”. “Não é um governo de esquerda, não é um partido de esquerda que defende o neoliberalismo que é defendido nos países que governam mais à direita, que é a desregulamentação dos horários e a desvalorização dos salários”, referiu.
Numa intervenção também muito virada para o partido, Jerónimo de Sousa pediu uma atitude “mais audaciosa”, nomeadamente através do recrutamento de jovens para reforçar o PCP.
O dirigente comunista comentou ainda as comemorações dos 20 anos do derrube do muro de Berlim, que interpretou como tendo “um sentido anti-comunista”.
“Fazem-no sem se interrogarem se o mundo hoje está melhor”, disse, considerando que não, existindo antes “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra, onde o capitalismo aumenta a exploração, em que a fome e a doença percorrem mais de mil milhões de pessoas”.
“É isso que o capitalismo tem para oferecer, como alternativa ao socialismo”, sustentou, recordando que nesta altura se celebra a revolução de Outubro (1917), “um momento histórico para a Humanidade em que a classe operária arriscou tocar o céu, o céu da transformação, da justiça, da igualdade”.
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