Jerónimo de Sousa diz que conflito nas negociações para OE 2011 foi “encenação”

30.10.2010 - 09:35 Por Lusa
O secretário geral do PCP afirmou que o acordo entre Governo e PSD para viabilizar o Orçamento do Estado para 2011 não é novidade e que o conflito em torno da negociação serviu para “encenar divergências” que não existem.
“Tanta resma de papel que se gastou, quilómetros de fita de filmagens nas coberturas televisivas e nas rádios, tanto drama, tanto duelo de cuspo que travaram para fazer aquilo que nós todos já sabíamos: têm a mesma política, vai haver acordo de certeza”, disse Jerónimo de Sousa, na sexta-feira à noite, durante um comício de apoio à candidatura de Francisco Lopes às presidenciais.
Jerónimo de Sousa disse ainda que a “bizarra dramatização” em torno do Orçamento e o “empolado conflito público entre PS e PSD” foi para “encenar profundas divergências que não existem”.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e Eduardo Catroga, vão assinar um documento de entendimento sobre o Orçamento do Estado no sábado, às 11h00, no Parlamento.
O líder comunista comentou ainda as declarações proferidas pelo Presidente da República após a reunião do Conselho de Estado realizada na sexta-feira, considerando tratar-se de “mais uma encenação”, que serve para a “projeção” de Cavaco Silva como candidato presidencial. “Esta nova encenação de hoje abre espaço à projeção do candidato da cooperação estratégica, que aproveita a circunstância para, num ápice, continuar a promover o consenso da desgraça e da ruína do país, que incentivou nestes últimos cinco anos”, sustentou.
Depois de ter estado quase quatro horas reunido com os seus conselheiros de Estado, o Presidente da República classificou como “muito grave” a actual situação financeira do país, que não se “compadece com atitudes que levem a uma crise política” e requer um “esforço adicional” para um entendimento sobre o Orçamento.
Sobre o discurso da recandidatura de Cavaco Silva, feito na terça-feira, Jerónimo de Sousa disse que o actual Presidente “tomou uma dose muito exagerada” de presunção quando realçou os seus feitos neste mandato. “Desde muito novos nos habituámos a ouvir que presunção e água benta cada um toma a que quer. Cavaco Silva tomou uma dose muito exagerada”, afirmou.

