Jerónimo de Sousa acusou ontem à noite o ex-primeiro-ministro Cavaco Silva de protagonizar uma candidatura presidencial de "submissão do poder político ao poder económico" e lembrou os "favores ao grande capital" durante os governos cavaquistas.
"Uma candidatura de submissão do poder político ao poder económico e de uma visão instrumental dos partidos que o apoiam", criticou Jerónimo de Sousa, que discursava enquanto candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP num comício no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
Alegando que o PCP "não permitirá a rasura da memória histórica", Jerónimo de Sousa dedicou grande parte do seu discurso de mais de uma hora aos ataques a Cavaco Silva, que apresentou na quinta-feira a sua candidatura à Presidência da República.
"É este D. Sebastião do século XXI que deixou o país numa profunda crise após dez anos do seu governo", que "numa operação de branqueamento cuidadosamente pensada" quer construir "uma falsa imagem" de "economista de rigor e neutro, predestinado a `salvar a pátria´ e a pairar por cima dos partidos", criticou Jerónimo de Sousa.
"Cavaco Silva não precisa dos partidos de direita, precisa daqueles que mandam nos partidos da direita, os grandes grupos económicos. É ver o núcleo duro da sua campanha", afirmou o líder comunista.
Jerónimo de Sousa considerou que "não é por acaso que Cavaco tem o apoio incondicional dos grandes senhores do dinheiro, afirmando que foram os governos cavaquistas que "aceleraram o processo de reconstituição das grandes fortunas e de entrega do melhor património público empresarial".
"Olhando para os seus apoios, é caso para dizer que amor com amor se paga", disse, corrigindo depois para "favor com favor se paga".
"Falar de amor falando de Cavaco Silva não bate a bota com a perdigota", disse.
Jerónimo de Sousa criticou ainda o "autoritarismo e a arrogância" de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro, frisando que "não há camuflagem que esconda as enormes responsabilidades e malfeitorias" dos seus governos.
Neste ponto, o líder do PCP aproveitou para criticar os outros candidatos presidenciais da área da esquerda, dizendo que "ficaram calados como ratos, sem denunciarem o que fez Cavaco Silva".
Jerónimo de Sousa passou depois à sua própria candidatura à Presidência da República, dizendo que o PCP não está no combate para "descarregar o voto que alivia e tranquiliza a consciência".
"Estamos determinados a chegar tão longe quanto seja possível e o nosso povo queira, nos apoios e nos votos, que quantos mais forem mais força dão à exigência de mudança e ao movimento de ruptura com as políticas de direita", afirmou.


