Jerónimo de Sousa desafiou o Governo a baixar preço dos combustíveis

11.04.2008 - 12:35 Por Lusa, PÚBLICO
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje “a intervenção” do Governo para baixar os preços dos combustíveis, mas o primeiro-ministro, José Sócrates, rejeitou a ideia porque considera que isso seria à custa do dinheiro dos contribuintes.
“Os portugueses não percebem porque é que o preço do barril do petróleo aumentou 1,5 por cento e o preço da gasolina sobe muito mais”, questionou Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro-ministro, no Parlamento, hoje centrado na política de energia, por escolha do primeiro-ministro.
O secretário-geral comunista lembrou que as petrolíferas tiveram “lucros fabulosos” de 777 milhões de euros no ano passado, sugerindo que a baixa dos preços se fizesse à sua custa.
A ideia foi recusada pelo primeiro-ministro mas, perante a insistência de Jerónimo de Sousa – “esperemos que no futuro, e face à crise, não tenha que engolir o que disse” –, acabou por dizer: “A não ser que a situação seja de tal forma que tenha um impacto tal num sector que exija a solidariedade dos outros”, disse sem dar mais pormenores.
PSD desafiado a apresentar propostas
O primeiro-ministro insistiu com o PSD para que apresente propostas alternativas sobre energia, enquanto o líder do grupo parlamentar social-democrata, Pedro Santana Lopes, o acusou de nunca responder às perguntas nos debates quinzenais.
“O senhor deputado acha que num debate o senhor faz perguntas, diga lá: qual é o contributo do seu pensamento, da sua visão estratégica para este debate sobre energia?”, declarou o primeiro-ministro, José Sócrates, no frente-a-frente com Santana Lopes.
“O senhor deputado avance com uma proposta, o senhor deputado proponha qualquer coisa”, pediu o primeiro-ministro.
Bloco critica Jorge Coelho e Vitalino Canas
O deputado do Bloco de Esquerda Francisco Louçã criticou os “políticos anfíbios” que usam a vida pública como trampolim para “carreiras privadas”, referindo o ex-ministro do PS Jorge Coelho, que será presidente da construtora Mota-Engil, e de Vitalino Canas, o porta-voz socialista, que Louçã disse ser “assalariado das empresas de trabalho temporário”.
“Que políticos anfíbios são estes que saltam para um verdadeiro conselho de ministros empresarial de uma empresa de construção civil que negoceia com o Estado e tem um ministro do PSD, um dirigente do CDS e vários ministros do PS”, acusou.
No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Francisco Louçã exigiu ao primeiro-ministro “regras” para acabar com a “política de facilidade”.
“Política de facilidade é esta vida de quem acha que pode saltar do poder e pedir votos dos portugueses e gerir a causa pública como trampolim para carreiras privadas”, disse.
Portas fugiu ao tema
O líder do CDS-PP desviou-se hoje do tema do debate quinzenal sobre energia, questionando o primeiro-ministro sobre questões diversas como a isenção de portagens na ponte 25 de Abril em Agosto ou a presença do Governo na abertura dos Jogos Olímpicos.
Não colocando em causa a “urgência” em retomar a ligação a Bragança, Paulo Portas interrogou também directamente o primeiro-ministro por o Governo ter escolhido, por ajuste directo, uma empresa que há cerca de seis meses foi condenada pela Autoridade da Concorrência por cartelizar preços, lesando o próprio Estado. “Por que razão o Estado deve premiar uma empresa que o tentou enganar?”, questionou.
Na resposta, José Sócrates enfatizou a necessidade de retomar rapidamente a ligação por uma questão de justiça, assegurando que “tudo o que foi feito obedeceu às normas legais em vigor”.
“Isto é um debate, não é um inquérito”, sublinhou o primeiro-ministro, considerando que, apesar das “perguntas focadas”, Paulo Portas “não disfarça o que está desfocado”, já que se tratava de um debate sobre energia.

