Jerónimo de Sousa desafia PS a “rasgar” a assinatura do “Pacto de Agressão”

25.02.2012 - 03:06 Por Lusa
O secretário-geral do PCP desafiou na sexta-feira o PS a “rasgar” a assinatura do “Pacto de Agressão” (o programa de ajustamento financeiro) e acusou o Governo de manter um “exército de desempregados” como estratégia da política de direita.
“O PS que se defina. É um subscritor do ‘Pacto de Agressão’, então é cúmplice desta política, não quer ser então rasgue essa assinatura e venha para a luta contra esta situação em que nos encontramos, venha ser, de facto, a oposição que agora não é”, incitou Jerónimo de Sousa durante um comício em Faro.
O líder do PCP acusou o PS de se ter metido num “nó cego” ao querer ser “da situação e da oposição ao mesmo tempo” e de querer ser visto como opositor ao pacto sem renunciar ao que de mais grave ele contém.
“Assinar o ‘Pacto de Agressão’ e as medidas que preconiza e depois vir rabujar e criticar a sua aplicação conduz sempre a ser apanhado em contra pé e em contradição”, acrescentou.
Jerónimo de Sousa teceu ainda duras críticas à decisão do Governo de financiar empresas privadas de trabalho temporário em vez de combater efectivamente o flagelo do desemprego.
“Esta medida é brincar com os desempregados, abusar dos dinheiros públicos, facilitar mais alguns amigos de empresas do trabalho temporário e apoucar o próprio instituto de emprego e formação profissional”, criticou.
Segundo o secretário--geral do PCP, o objectivo fundamental da política de direita do Governo é a de manter e pressionar um “exército de desempregados”.
“Pressiona os desempregados pela vida que têm e, simultaneamente, quem tem emprego porque quando estes reivindicarem salários, quando reivindicarem um direito, lá vem a ameaça: “Se te fores embora tenho aqui mais dez para colocar no teu lugar”. Este é o objectivo fundamental de manter um exército de desempregados”, acusou.
A taxa de desemprego disparou no quarto trimestre para os 14%, face aos 12,4% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados a ultrapassar os 770 mil, segundo os últimos dados do INE.
A taxa de desemprego média anual situou-se nos 12,7%, acima da estimativa do Governo inscrita no relatório do Orçamento do Estado para 2012 e da estimativa da ‘troika’ (de 12,5 e 12,4%, respectivamente).

