O candidato a Presidente da República Jerónimo de Sousa acusou hoje o seu adversário Cavaco Silva de se limitar a "gerir os silêncios", considerando que essa posição prejudica o necessário esclarecimento dos eleitores no debate presidencial.
"O facto que todos nós reparamos é que Cavaco Silva vai gerindo os seus silêncios", afirmou, considerando que o antigo primeiro-ministro tem feito apenas afirmações "onde cabe tudo e onde cabe nada".
Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas à margem da sessão de lançamento de uma edição especial de um selo e de um bloco filatélico de homenagem a Álvaro Cunhal, que decorreu na Estação dos Correios dos Restauradores, em Lisboa.
Para o candidato às eleições presidenciais de 22 de Janeiro do próximo ano, seria necessário saber o que pensa Cavaco Silva sobre "o que entende por noções como a democracia política" ou "Estado social" e sobre a "protecção dos direitos de quem trabalha".
"Estas questões são questões que obrigam um candidato a Presidente da República a ter opinião", disse o candidato apoiado pelo PCP, citado pela Lusa.
"Põe-se numa postura de ajudante, palavra que referiu por oito vezes na sua declaração de candidatura, e de agente de desenvolvimento, quando muito de vigilante em relação ao Governo. Há aqui um vazio de argumentação, de debate, que é tão necessário nesta batalha das presidenciais", criticou.
Jerónimo de Sousa criticou ainda Cavaco Silva por ter "uma posição restritiva" em relação aos debates na comunicação social, receando que as imposições do antigo primeiro-ministro possam condicionar a forma como vão decorrer os debates.
Cavaco Silva já anunciou que aceita debates a dois com todos os candidatos, mas recusa debates com mais de dois por considerar que não são esclarecedores.


