O líder da CDU considerou hoje “inaceitável” e “aberrante” que os pescadores de Sesimbra tenham que deitar pescado ao mar por causa da questão das quotas e defendeu a criação de uma zona de frio na lota daquele porto pesqueiro.
Falando a pescadores de Sesimbra ao almoço, num restaurante no porto de abrigo, Jerónimo de Sousa realçou que “a pesca foi sempre uma garantia fundamental do desenvolvimento e crescimento económico”, ainda que o sector tenha sido “sempre subvalorizado”.
Numa intervenção inteiramente direccionada ao público que ali o ouvia - o que acontece pela primeira vez nesta campanha -, Jerónimo de Sousa classificou as quotas pesqueiras como “um critério inaceitável e incompreensível”, e lembrou a “cena chocante” de os barcos terem que deitar ao mar o peixe que trazem – ou pelo menos parte dele – por excederem a tonelagem de captura que lhes é permitido.
“É certo que depois recebem a compensação, mas ninguém entende esta aberração num país que está a importar pescado, que precisa aumentar a sua produção nacional”. Defendeu, por isso, “um novo ordenamento do porto de Sesimbra”: “Por que não existe aqui uma rede de frio e as infra-estruturas para que um dia de excesso compense os dias em que a captura é pequena?”.
Acusando os outros partidos de não terem nada nos seus programas sobre uma definição estratégica para o sector das pescas, Jerónimo defendeu que a pesca tem que passar a ser considerada um sector económico capaz de dar uma contribuição importante para o desenvolvimento económico. “Contribui pouco para o PIB, dizem, mas contribui, porque se deixar de contribuir, o encargo da Segurança Social vai ser maior: vai haver mais desemprego, mais pobreza”, rematou o líder da CDU.
Segundo Augusto Pólvora, presidente da câmara de Sesimbra pela CDU e novamente candidato, a comunidade piscatória de Sesimbra “tem tido problemas desde a adesão de Portugal à então CEE”. Em 1986, conta, eram 3000 pescadores, agora serão pouco mais de 700, depois de anos consecutivos com ordens de abate de navios.
As dificuldades cresceram há quatro anos com a entrada em vigor da zona de protecção do parque marinho que reduziu significativamente a área de pesca na costa de Sesimbra, adianta Augusto Pólvora. Desde então, afirma, “a comunidade piscatória tem vindo a ser fustigada com repressão por parte da marinha portuguesa e da guarda costeira”. Pedindo mais bom senso, alerta: “Não se pode entender que os pescadores sejam tratados como arruaceiros e traficantes.”
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