O líder do PCP fez ontem um ataque ao Código do Trabalho, classificado de "traição profunda" do PS aos trabalhadores, e chamou "bazófias" a José Sócrates por "andar a dizer que o país está no bom caminho".
"O PS, que já tinha pouco a ver com o mundo do trabalho, o que fez, com este Código do Trabalho, (...) foi uma traição profunda aos direitos dos trabalhadores", afirmou Jerónimo de Sousa a cerca de 300 pessoas reunidas no Largo 7 de Março, em Alhandra, Vila Franca de Xira.
Horas depois do debate das alterações ao código laboral, na Assembleia da República, o líder comunista acusou o Governo do PS de ter ido "mais longe do que a direita no ataque aos direitos dos trabalhadores".
O código "expõe os trabalhadores a uma exploração sem limites", "legaliza o trabalho precário a troco de uma pequena penalização", "destrói a contratação colectiva", "liberaliza os horários" e "limita a liberdade sindical", afirmou.
Jerónimo de Sousa contou que quinta-feira, no Parlamento, "à boca pequena", um deputado social-democrata fez um "desabafo" quanto ao período experimental de seis meses previsto na legislação proposta pelo executivo de Sócrates: "Essa nem nós demos à CIP".
O líder comunista não disse quem era o dirigente e ex-responsável governamental do PSD que fez o "desabafo", mas o relato serviu para tentar provar que o PS "está mais à direita" do que o executivo PSD-CDS/PP, responsável pelo Código do Trabalho de 2003.
As alterações da legislação do trabalho, disse ainda Jerónimo, fazem parte de uma "política de direita" do primeiro-ministro, José Sócrates, que, em três anos, tornou o "país mais desequilibrado e mais injusto".
"Com este Governo PS assistimos ao mais descarado assalto ao poder de compra dos salários e pensões", exemplificou Jerónimo de Sousa que apontou o dedo ao primeiro-ministro e líder do PS, recusando que a ideia de que o país "está no bom caminho".
"Como é que aquele bazófias - passe a expressão e sem ofensa - do primeiro-ministro pode andar a dizer que o país está no bom caminho?", questionou o secretário-geral do PCP, provocando vaias entre a assistência.
Numa referência ao XVIII Congresso Nacional do PCP, a 29 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro, em Lisboa, Jerónimo prometeu uma "reafirmação de um partido comunista" e insistiu na resposta aos que deixaram o partido, "profetas e gurus" que lhe vaticinaram "o declínio irreversível, da destruição, do desaparecimento".
"Hoje, que bom que é ver esses profetas e gurus que traçaram o nosso destino dizerem 'afinal, cuidado com o PCP porque está forte e continua a sua luta'", afirmou.
No congresso do PCP, garantiu, os militantes "antecipada e colectivamente, discutem, propõem e decidem sobre tudo ao que o partido diz respeito", ao contrário dos outros partidos "onde quem manda é o chefe".


