Jerónimo de Sousa acusa Soares e Alegre de ajudarem candidatura de Cavaco

18.12.2005 - 16:54 Por Lusa, PUBLICO.PT
Jerónimo de Sousa acusou hoje os candidatos Mário Soares e Manuel Alegre de ajudarem Cavaco Silva na corrida à Presidência da República com as suas trocas de críticas, permitindo que a “candidatura de direita sorria e encha o saco à conta dessas confusões".
Durante um discurso dirigido a cerca de 230 apoiantes reunidos em Chaves num almoço, o candidato presidencial apoiado pelo PCP e por “Os Verdes” lançou as suas críticas ao PS e à candidatura da direita protagonizada por Cavaco Silva.
Jerónimo de Sousa começou por reafirmar que a sua candidatura é para levar até ao fim, para criticar os "apelos mais ou menos patéticos" de alguns dirigentes do PS, que perante as primeiras sondagens mais favoráveis à candidatura da direita, apareceram a "atirar a toalha ao chão". "Pedem-nos para desistir. Mas nós não podemos desistir porque não desistimos de Portugal nem de defender os interesses dos portugueses", afirmou.
O dirigente comunista remeteu responsabilidades ao candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, e ao candidato independente Manuel Alegre pelos resultados das sondagens que dão a vitória a Cavaco Silva logo à primeira volta, considerando que estes se "guerreiam entre si e permitem que a candidatura de direita sorria e encha o saco à conta dessas confusões".
Jerónimo de Sousa defende que é preciso derrotar a direita mas não porque o candidato Cavaco Silva tem "má cara ou sorri pouco", mas "por aquilo que ele representa". "A direita não merece eleger o Presidente da República porque nunca seria capaz de fazer cumprir a Constituição da República, pois identifica-se com os interesses dos mais poderosos", acrescentou.
O candidato acusou ainda Cavaco Silva de ser também responsável pela crise que se vive actualmente em Portugal e considerou mesmo que um dos "fenómenos mais interessantes" desta campanha presidencial é ver o ex-primeiro-ministro dizer que "o que lá vai lá vai, que não tem responsabilidade nenhuma e que agora está disposto a salvar a pátria". "Diz-se disposto a ajudar o país a encontrar os caminhos do desenvolvimento, quando o podia ter feito numa ocasião quando Portugal estava a ser invadido por um milhão de contos por dia", observou o comunista.

