O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou ontem o PS por desenvolver uma “política contra Abril” e por estar “ao serviço da política de direita”, durante um jantar comemorativo do 25 de Abril.
“Nas revisões constitucionais, nas alterações às leis laborais, nas políticas económicas, nas políticas de integração europeia, na desvalorização do nosso aparelho produtivo, nas privatizações, na liquidação da reforma agrária, encontramos sempre o dedo do PS. A direita sozinha não tinha condições de impor essa contra-revolução e de recuperar essas parcelas de domínio perdido”, considerou.
Trinta e seis anos depois da Revolução do 25 de Abril, Jerónimo de Sousa considera que “valeu a pena”, mas aponta que hoje “muitas das conquistas foram destruídas, muitas transformações sofreram profundos retrocessos”.
“Neste momento, a própria Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, que consagrou esse Abril de direitos, de liberdade, de progresso na nossa pátria, está ameaçada”, destacou.
Também na revisão constitucional, o PS vai ceder às exigências da direita, sustentou o secretário-geral do PCP.
“Hoje vemos a direita a pedir mais e mais. Dizem que o Estado devia retirar-se dos negócios. Tem graça. Mas não querem que os negócios se retirem do Estado”, criticou, acrescentando que “o truque” dos partidos da direita é “pedir tudo, exigir tudo, para que o PS ceda sempre muito” e “assim será na revisão constitucional” e no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), um instrumento “que a direita vê com profundo agrado”.
Jerónimo de Sousa recordou que, sobre o PEC, o Presidente da República “veio dizer que é muito bom, que é preciso apoiá-lo para defender o país”.
“Camaradas, que estranha forma de defender o país. Um Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição está de acordo com um instrumento que vai contra a Constituição, contra a nossa soberania económica, contra a nossa independência”, destacou.
O líder comunista lançou ainda um apelo à luta no 1.º de Maio, na manifestação organizada pela CGTP. “Temos a responsabilidade de participar nesse 1.º de Maio convocado pela CGTP para encher a Alameda, e não para encher outros espaços que estabelecem aí a confusão, porque há sempre estes grupos, já não é só a UGT, que faz aquela patuscada, aquele piquenique, algures em Belém”, destacou, no final do discurso, antes de se ouvirem as palavras de ordem “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e o tema “Grândola Vila Morena”.


