O secretário-geral do PCP acusou ontem à noite o Governo de querer entregar “ao desbarato” património nacional a grupos económicos europeus e considerou que a eliminação das ‘golden shares’ é um acto de gestão danosa.
“Esta alienação de direitos especiais do Estado em decisões de importância estratégica é a confirmação da completa submissão por parte do poder político aos grandes poderes económicos, aos quais se dá de mão beijada o completo controlo dos sectores estratégicos da nossa economia”, afirmou Jerónimo de Sousa, durante um comício do partido no cinema de São Jorge, em Lisboa.
Além da crítica às privatizações e à eliminação das ‘golden share’ - nomeadamente na Portugal Telecom, GALP e EDP - Jerónimo de Sousa, criticou o Governo por mostrar uma atitude obediente, servil e de compactuar com as chantagens das empresas de notação financeira.
“Vimos como se foram agravando os problemas nacionais com a política do plano de estabilidade e crescimento (PEC), sempre justificados pela necessidade da acalmia dos mercados e da travagem da especulação, que nunca parou. Não vai parar enquanto o Governo estiver pronto para ceder a nova chantagem e a dobrar a parada dos sacrifícios aos trabalhadores e ao povo”, sublinhou.
Relativamente ao programa de Governo, Jerónimo de Sousa considerou que as medidas previstas pretendem transformar os direitos próprios de cada português numa política de caridade pública, aludindo ao regresso da “sopa do Sidónio”.
O imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal também não escapou às críticas do líder comunista, que considerou a medida “um saque a quem vive dos rendimentos do trabalho, sem justificação plausível”.


