O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje a oposição do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, à "golden share" do Estado na PT, acusando-o de estar “do lado do capital” e “contra o país”.
“Diziam que era bom para Portugal tê-lo como presidente da Comissão Europeia. Vê-se: à primeira pôs-se do lado do capital, dos interesses privados, contra o nosso país”, referiu o dirigente comunista durante um comício-festa no parque de merendas do Tortosendo, Covilhã.
Perante cerca de 300 pessoas, Jerónimo de Sousa reafirmou que o que está em causa no caso da PT é “a soberania nacional”.
“Onde nós chegámos, camaradas: então é um tribunal europeu é que decide onde o Estado intervém ou não”, questionou. “Isso contraria a Constituição portuguesa”, sublinhou.
O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu na quinta-feira que a detenção de "golden shares" por parte do Estado português na Portugal Telecom constitui uma restrição não justificada à livre circulação de capitais.
O Governo usou a “golden share” para vetar a 30 de junho a compra pela espanhola Telefónica dos 50 por cento que a PT tem na operadora brasileira Vivo. Para o líder comunista, “esta não é uma questão jurídica” e, tal como no passado, “vai ser o povo a expulsar os invasores”.
Numa intervenção centrada em críticas ao Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), Jerónimo de Sousa comentou ainda a notícia do Expresso (já desmentida pelo gabinete do primeiro-ministro) de que Sócrates teria convidado Paulo Portas para fazer parte do Governo. “Muita gente ficou admirada [com a notícia] e algumas até escandalizadas, mas não percebo porquê”, destacou. “Então o PS que, quando perdeu a maioria absoluta, não afirmou logo que ia manter o rumo da política? Então se segue uma política de direita, com quem havia de se entender? Com o PSD ou o CDS ou ambos”, concluiu.


