O líder do PCP fez hoje um balanço sombrio do estado da Nação e acusou o Governo de tomar uma medida tímida, a taxa Robin dos Bosques, dando a impressão às petrolíferas de que "o crime compensa". No debate, no Parlamento, Jerónimo de Sousa responsabilizou o Governo, e não "apenas a crise internacional", nomeadamente pelo aumento do desemprego e considerou baixa uma taxa de 25 por cento sobre os "lucros especulativos" das petrolíferas.
Para o PCP, o Governo deveria aplicar uma taxa de "50 ou 60 por cento capaz de travar as apetências das petrolíferas". "O senhor primeiro-ministro limita-se a tirar uma pequena 'tranche' quando a proposta do PCP visava baixar os combustíveis, combatendo a especulação", afirmou. Jerónimo de Sousa afirmou que, com esta decisão de hoje de aplicar a chamada "taxa Robin dos Bosques", vai fazer "pensar às petrolíferas de que o crime compensa".
O secretário-geral comunista lembrou um relatório da OCDE de 2006 para dizer que os trabalhadores portugueses foram os que perderam em salários numa lista de 30 países, enquanto as "100 maiores fortunas aumentaram 36 por cento". "O Governo não tem responsabilidade nenhuma nisto?", questionou. Jerónimo de Sousa criticou ainda a recusa do Governo quanto a propostas do PCP como uma correcção das "pensões mais degradadas" face ao aumento de 2,1 para 2,6 por cento quanto à inflação. "É muito, é crime exigir a reposição do poder de compra?", questionou.
Na resposta, o primeiro-ministro, José Sócrates, lembrou que Portugal vai aplicar o valor mais alto da taxa "Robin dos Bosques" nos países que a adoptaram. "É uma taxa que vai ter uma receita fiscal acima dos 100 milhões de euros. Pretender que é uma medidazinha, só posso levar isso à conta e quem não estudou a nossa proposta", disse. José Sócrates afirmou não ter ficado surpreendido com a reacção dos comunistas, que acusou de "andarem há 30 anos" a dizer sempre que "qualquer medida que o PS proponha é má" e de ignorar as medidas sociais empreendidas pelo executivo, como o aumento dos abonos de família ou o "maior aumento do salário mínimo de 400 mil trabalhadores".
Com ironia, Jerónimo de Sousa ainda perguntou, numa interpelação à mesa, se haveria algum problema nas instalações sonoras da Assembleia dado que Sócrates não lhe respondera sobre o aumento do desemprego - "parece que as palavras lhe queimam a boca". Na resposta, o primeiro-ministro disse não "haver um problema de comunicação".
"Há um problema de visão política. Nós não estamos presos a uma ideologia imobilista e fixista", concluiu.


